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sábado, 23 de abril de 2016

Poema acabado de florir




O vento arrasta a chuva por mim a dentro
em bátegas de impaciência

Mergulho numa aborrida dormência

Procuro sinónimos de mim e de Primavera
a mais bizarra sinonímia que posso imaginar

Sou um novelo de liberdade
em que me enredo e emaranho
quando apenas pretendia me libertar

Um emaranhado de amor
de tanto amar

Uma nuvem negra de angústia
uma borbulha de ansiedade
um cachão de raiva
um furúnculo de repulsa
um borboto de lixo
uma ampola de azia
um balão de demência
um poço de loucura
uma câmara de tortura
uma catedral vazia

Acordo

Havia adormecido
sem me ter apercebido
nem dar pelo tempo passar
já o sol brilha
lá fora

Sorrio
agora
dentro de mim
qual botão de flor prestes a desabrochar
poema acabado de florir

5 comentários:

  1. Sublime versejar, Henrique Pedro! Obrigada por compartilhar! Vou pegar emprestado, posso? rs Vou postar em meu Blog. Abraços daqui do Brasil!

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    1. Agradeço a simpatia da sua visita e a generosidade das suas palavras, distinta amiga aparecida. Abraço fraterno.

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  2. Henrique, é a primeira vez que tenho o prazer de ler um poema seu, onde procurei, canalizar para dentro de mim, a força de cada palavra, só assim conseguindo sorver sensorialmente, a beleza de sua obra. Parabéns.

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  3. _ Sensibilidade ... criatividade e amizade ( íntima! ) com as palavras ! GOSTEI ! Abração, amigo.

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