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sexta-feira, 13 de maio de 2016

A minha alma mora no meu coração




Não mora na minha mente
a minha alma
como demente
cheguei a pensar

Nem em qualquer outro órgão
glândula ou apófise
como pus a hipótese

A minha alma mora no meu coração

É lá que passa a maior parte do tempo
divertida
a deixar-se emocionar

De onde sai
levada pelo vento
sempre que o pensamento
se põe a divagar

E quando encontra coisas que a fazem sofrer
ou a razão não é capaz de compreender
é ainda no meu coração
que a minha alma
se vai refugiar

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Angústia




Uma angústia larvar
me apoquenta
desde que me conheço
e que em vão
procuro decifrar

Não é problema de salário
ou de pão

Muito menos da conta da electricidade
da falta de fama ou de glória
ou de males de coração

Sinto-me feliz fora da História
e se a energia eléctrica falhar
passarei bem sem internet ou televisão
porque tenho o sol para me alumiar

Amor?!
Tenho muito para dar
não para vender
e pão…
até ver não tem sido preocupação

Também não tenho
tanto quanto sei
qualquer glândula avariada
e o meu cérebro não sofreu nenhuma pancada

São coisas mais complexas
e etéreas
que me afligem
e não sei explicar

Que tento converter
em poesia
com alguma fantasia


sábado, 7 de maio de 2016

O amor não tem asas e voa




Um par de pombas enamoradas
pôs-se a dançar
danças de amor
despudoradas
de fronte da minha janela
só para me provocar

Fascinado
deixei-me ficar com cautela
calado
a vê-las dançar
entrelaçadas

A pousar
e a levantar
a voar
adejando com graciosidade

De pronto me imaginei-me
a dançar com elas
e me pus a pensar:
Porque não nos deu asas
o Criador?

Porque não fez do homem um ser voador
para assim poder amar a mulher amada
também alada
e ambos a voar se poderem amar?

Porque não precisa de asas o homem
para amar
assim à toa

Porque o amor não tem asas
e voa

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Uma etérea flor astral







Depois que nove meses
me trouxe escondido
em seu ventre
até haver decidido que eu haveria de nascer
à hora do sol nascente

Nasci perfumado de amor
como flor de jasmim
no jardim de minha mãe
para onde fora transplantado
com carinho

No canteiro que guardava
ao cima da escada
e que tratava com desvelo
como se alecrim e rosmaninho
fossem fios do seu cabelo

Continuo sem saber
porém
a que pedra
a que fonte
a que estrela
minha alma foi minha mãe
colher

Talvez por eu ser
uma etérea flor
astral

Por isso continuo à espera
sem deixar de crer
que sou imortal
que nasci mas não morri

E nem mesmo depois da morte
para mim terá sentido
desacreditar que vivi