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quarta-feira, 22 de junho de 2016

A luz do amor




Há uma luz que vem de Deus
com origem fora do Universo

Que não é desviada
pelos corpos pesados em movimento
e a que se não aplica
a Teoria da Relatividade

Que não é atraída por nenhuma galáxia
ou qualquer outro astro em movimento
que distorcem a luz das estrelas
dando-nos uma imagem ilusória do Cosmos
como se projectada nas águas
ondulantes
de um lago

É uma Luz que entra por nós a dentro
se reflecte no nosso espírito
que faz bater os corações famintos
e soprar o vento da verdade
e da amizade

Que ilumina a escuridão
da cega paixão
causadora da dor

É a Luz do Amor


sexta-feira, 17 de junho de 2016

Vou andando, amando!




Como vai?

Como vou?!

Vou andando
amando

A mando
nem sei de quem
talvez
de ninguém

Vou andando
amando
tanto se me dá
como se me dou

Vou andando
amando
quem eu amo
em mim manda

Louco
eu não mando
em quem amo
por amor
se é que mando
em alguém
tão pouco em mim

Eu quero sim é assim amar
a valer

Enquanto assim for
andando e amando
não vou morrer


quinta-feira, 16 de junho de 2016

E se Deus não existir?!




E se Deus não existir?!

E se o Cosmos que gerou o homem
estiver em processo de gestação de deus?

E se esse deus sair da Humanidade?

E se tal deus for assim…
um jogador de futebol
ou um nababo do petróleo?

Talvez…
um guru das finanças
um comediante
um político
um ilusionista?

E porque não uma deusa
uma cantora pop
uma estrela de cinema das revistas cor-de-rosa
retocada pela magia do Photoshop
loira
glamorosa…?

Em tudo isso terei relutância em acreditar
por mais cidadania que a Democracia proclame
por mais benefícios fiscais que me prometam
por mais partículas que a Física descubra
por mais genomas que a Biologia desvende
por mais loucuras que me acometam
por mais curas que Psiquiatria garanta
por mais luz que a Física Quântica induza
por mais…
que a minha mente reluza

Porque um deus assim não viria no princípio
mas no fim
não seria um deus criador
mas um deus destruidor

Quando muito
darei o benefício da dúvida
a um deus poeta

Pelo menos
poderei acalentar a esperança
de que o Universo tenha sido criado por mim
inadvertidamente
ao correr da pena
sem o saber

E sempre poderei corrigir o mundo
e a Humanidade
já no próximo poema

Oh! Não! Poeta sim. Apóstata não!


terça-feira, 14 de junho de 2016

O lugar de Deus está vago e a concurso




Quem não sentiu já
um vácuo na alma
um vazio no coração?

Porque perdeu um ente querido

chegou ao fim uma paixão
caiu no olvido
de alguém

porque não se encontra
ou sofreu uma grande desilusão

Ou por mera angústia constitucional

E quantos não ocuparam esse espaço vazio
com sarcasmo
riso idiota
obscenidade
álcool
droga
raiva
revolta
ódio
agressividade?

Pois é…

mas o vazio continua lá
em aberto

a doer e a causar dor
sendo certo que só o amor
de verdade

o poderá preencher
porque esse é o lugar de Deus

Lugar que está vago

e a concurso

e a ele concorrem

todas a forças do mal

domingo, 12 de junho de 2016

Sinfonia do fim do mundo




Vou aguardar
tranquilamente
o fim do mundo
sentado no topo da colina
que me abre vistas por todo o horizonte
no mesmo sítio em que tenho por hábito
assistir ao nascer do sol

O fim do mundo
deve começar por lá
pelo distante extremo Oriente
ao som de harpas
uivos de vento
e trovões

Se assim for
espero ter tempo
de me pôr a salvo
antes da hecatombe aqui chegar
e de tudo ficar reduzido a nada

E se por ventura não acontecer
já na próxima alvorada
voltar-me-ei, então, para poente
para louvar o Criador
que pôs o Sol a girar
com formosura
conferiu à Terra a sua diária rotação
e me pôs a mim a sonhar

Esperando que um dia
ponha termo
com brandura
a esta insana Civilização

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Deu-me a provar o seu corpo




Trazia fogo no ventre
os seus seios ardiam
e os seus lábios queimavam
ainda mais que os meus

Envolveu-nos o vento da paixão
que nos obscureceu a Razão

Deu-me a provar o seu corpo
para sentir o sabor do meu

Sem saber bem o que fazia
já que nem o seu
nem o meu coração
reconhecia
nem eu sabia nada de mim

Acabámos por saborear
na verdade
o que apenas era suposto provar

Tanto assim que acordámos aprovar
e apalavrar
a palavra amor
para uma próxima oportunidade