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sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Aquela paixão não passou de um poema escrito num pedaço de papel que ardeu






Escrevi aquele poema com a minha alma
com tinta doirada de amor
e toda a minha arte
na esperança de que ela o lesse com o coração

Ela porém tomou-o por burlesco
por literatura de cordel

Pediu-me que o anotasse num pedaço de papel
que depois de amassado
acabou cremado
em fugaz incêndio
num cinzeiro grosseiro
de vidro vulgar

Restou um montículo de cinza
que com um sopro
leve
e um despiciendo piparote
sacudi do capote

Não tem porque se lamentar
agora
que anda perdida
a esmo

Aquela paixão
indevida
não passou disso mesmo

De um poema escrito num pedaço de papel
que ardeu
só porque ela não o leu

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