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segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Sonho de Outono



Nestes dias anormais
esgaravato raízes de poemas
no húmus humedecido
pelas primeiras chuvas outonais

Agora que a Natureza de novo sorri
verdejante e florida
iludida
travestida de Primavera
quando o longo e frio Inverno
já a espera

Apenas desenterro dilemas
angústias e ansiedade
que exponho ao vento e à chuva
ao sol morno de Outono

Angústias sem razão de ser
dilemas de verdades
ansiedade sem casualidade

Mas nem o sol as seca
nem a chuva as dilui
nem o vento as leva para longe

As aves passam indiferentes
em seus voos sorrateiros
no céu cerúleo
maculado de nuvens

Procuram sementes nos terreiros
e não poemas
dementes

Ouço cães a ladrar com desnorte
porque o frémito da minha melancolia
lhe fere os tímpanos
e lhes causa frenesia

Ponho-me então a sonhar
para lá da morte

Sonhos que arrastam consigo todos os meus afectos
para espaços mais amplos e abertos
mas nem assim a angústia se dilui
e mais se concentra

Comprovadamente já não fui
que era suposto ser

Resta-me o sonho de que agora
pelo Outono
serei mais do que tudo que sonhei



2 comentários:

  1. Henrique ,boa Tarde!
    Mais uma vez um poema fantástico.
    Que bom que entrarão no inverno ou já entraram.
    No Brasil,chuva ,principalmente em MG onde vivo,numa cidade próxima à Belo Horizonte.
    Aqui a chuva cai torrencialmente e faz um friozinho suportável.
    mas encarar fora de casa não está dando.Dá desânimo!
    É Primavera,mas as flores nem brotaram tanto porque o sol muito quente.
    Agora ,uma "frente fria" ,vinda do sul do Brasil,está enviando,vento e frio.
    Verão só virá em DEzembro.
    Como a Natureza é perfeita tudo é suportado.As plantasestavam chorando pela falta de chuva.
    beijos
    Imaculada Campos

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  2. Como visitar o seu poemário e ver tudo que já publicou?
    Imaculada Campos

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