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sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Batendo à porta da felicidade




Montei tenda num descampado
ermo silencioso
isolado
além
onde me disseram
que não morava
ninguém

E sempre ia perguntando
a quem passava
se seria ali
que a felicidade
morava

Na verdade
nada
nem ninguém me garantia
que seria ali
que a felicidade residia
embora por toda a parte
fosse procurada

Um jovem que de tão apressado
me pareceu feliz
e bem informado
sorri
sôfrego
tão pouco pára
mas nada me diz

Mas um trôpego ancião
que caminhava devagar
porque já trazia à costas a vida morta
acabou por se sentar
e me dizer
que se eu queria saber
onde a felicidade morava
teria que bater
à sua porta
primeiro

E acrescentou
certeiro
fixando os olhos em mim:
«Se de dentro responderem
que sim
mais certo será
lá morar
a ilusão

Se ninguém responder
então
também ali não é
não»

E mais me disse o ancião
por fim
antes de partir:

«Com um pouco de ventura
encontrarás a felicidade
em qualquer lugar
precisas sim
de investir
enquanto a sorte dura»

Olhei à roda
e vi
uma porta entreaberta
de que antes me não dera conta
e entrei
com a confiança
de um aprendiz

Na esperança
tonta
de que naquele descampado
ermo
silencioso
isolado
estava destinado
a ser feliz