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sábado, 30 de janeiro de 2016

Aos derradeiros heróis


 

O derradeiro Império da História
de ainda fresca memória
os imolou

Se enterrou com eles
no ataúde comum
oco
vazio do vento
que já não soprava para lado nenhum

E os deixou por lá
abandonados
esquecidos
insepultos

Morreram de pé
às mãos da morte
e da má sorte

Ao som do rufar do batuque das sanzalas
nas malditas matas de Moçambique e de Angola
nas olas da Guiné
trespassados de balas
afogados em saudade
Oh, que cruel verdade!

Que evangelho ou sortilégio
que adulterada verdade
que insana vontade
que espúrio magistério
que cruel desígnio
lhes traçou o destino
e os abandonou por ali
inocentes?

Sem choros
lágrimas
ilusões
raivas
ou ranger de dentes

Somente o coração distante
de quem os amava
pai, irmão, amigo, amante
a bater
fremente

Ceifados na flor da idade
viveram com fugaz alegria
a sua trágica mocidade

Foram os heróis derradeiros
humildes guerreiros
do derradeiro Império
da História de má memória

A sua morte é uma vitória…
 
Inglória!