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segunda-feira, 18 de abril de 2016

Pétalas de esquecimento




Já não é mais a flor amorosa
viçosa
perfumada

A rosa inflamada
pelo desejo despótico
que germinava
no húmus erótico
do seu corpo juvenil

Já nem ela
sorri
só de se lembrar

É agora uma rosa estiolada
que seguro pelo pé
já sem fé
com cuidado
contudo

Não com medo de ser picado
mas porque sei
que o mais delicado
movimento
o mais suave sopro de vento
a fará
despetalar

Foi o sopro
o cicio do tempo
perdido o cio
que colocou no vazio
do meu coração
as pétalas do esquecimento

Inexoravelmente

Já as pétalas lhe caem aos pés

Já nem eu sou
o que fui

É cruel
mas é

Até sempre