Seja bem vindo/a. A mesa da poesia está posta. Sirva-se.

terça-feira, 19 de abril de 2016

Doze badaladas premonitórias





O relógio da sala de janta bateu doze badaladas
premonitórias
de desilusão

Tocou as notas introdutórias
com poesia
e depois doze badaladas sonoras
espaçadas
metálicas
marteladas
sem melodia

Amanhã por esta hora
serão de novo horas de me deitar
ainda que sem dormir

Quando ouvir o relógio analógico badalar
em contraposição à insana inovação
que põe milhares de relógios digitais a piscar
obrigando a Humanidade a correr
apressada

Dessincronizada com o Cosmos
com a imaginação
limitada
a cortar a respiração

Preferiria antes ouvir
relógios analógicos a badalar
crocitar
cucar
e porque não
balir

Como quando o galo
madrugador
com seu estridente estertor
anunciava a alvorada