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segunda-feira, 25 de julho de 2016

Um punhado de palavras



Tomo
na boca
um punhado de palavras
e atiro-as ao ar
deixando que seja o vento
a tresmalhá-las

Raras
sobem como estrelas
no céu
cintilando
noite adentro

Poucas
são levadas pelos aves
delicadamente nos bicos
para construir os ninhos
e alimentar as crias

Outras
são arrastadas pelos rios
para o mar
terminam nas redes dos pescadores
ou diluídas no seio da tempestade

A maior parte
porém
são estraçalhadas
pelas mandíbulas ferozes dos políticos

Na minha boca
regurgitam outros punhados de palavras
desejosas
do supremo sacrifício da poesia

Mas na minha mão vazia
resta-me a aflição