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domingo, 14 de agosto de 2016

Glória e morte de uma paixão



Guardámos três dias
cumprindo a tradição
para comprovadamente verificarmos que morrera

Foi então que a mulher
por quem eu andara apaixonado
e que só agora
de mim
se enamorara de verdade
removeu a pedra do sepulcro
em que se convertera o meu coração
depois que ali eu sepultara
essa derradeira paixão

Espantada, exclamou:
«Está vazio! Tu não me amas
«e nunca amas-te ninguém!»

Com ternura respondi:
«Não! A paixão morreu, sim
»mas o amor, esse, ressuscitou!

«Vive, agora, em mim.
«Será que em ti
«também?

Apenas a paixão, a raiva, a ilusão
morrem para sempre
levadas pelo vento
diluídas no tempo

O amor
esse
nunca morre
não!