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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Etérea e nua





Não era amor
era só um lampejo de lua
o desejo de a ver
nua

Era ela que me incendiava
que brincava com o fogo

Eu despia-a com o olhar

Era ela que se desnudava
linda de morrer
entre sorrisos e trejeitos lúbricos
com o viço dos seios túrgidos
a tentarem-me
com prazer

Era ela que se oferecia amorosa
insinuante
melíflua
de falas meigas
graciosa
com golpes de cintura
fina
maneiras requintadas
nádegas roliças
coxas torneadas

Mas quando ela já se mostrava despida
oferecida
etérea e nua
eu cobria-a com poesia

E num golpe de razão

ignorava a provocação
vencia a tentação
não fosse a combustão do desejo
incendiar tudo
à nossa volta

Por isso escrevi o epílogo
desse dilema
no próprio prefácio
deste poema