Seja bem vindo/a. A mesa da poesia está posta. Sirva-se. Feliz Ano Novo.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

A poesia acontece por si, mesmo sem inspiração.





Já a Primavera se transmuda
em Verão

Já o Sol se põe
e muda de posição
deixando atrás de si
um resplendor alaranjado
que se desvanece
e me deixa extasiado
enquanto o céu escurece
e a Terra se encobre de escuridão


Já a Lua brilha cristalina
já se acende a estrela  vespertina
depois outra após outra
marchetando o Firmamento
que por fim se ilumina
de cerúleo polimento
mais abrangente

Nenhuma ideia brilhante
nenhuma palavra redundante
uma rima sequer
indiciam poemas na minha mente

Nem eu tristonho
me predisponho a poetar
assim mergulhado na soledade
do fim do dia
extasiado com a serenidade
da contemplação

Sob o olhar da Lua
que em silêncio percorre o céu
e me olha
como se estivesse ali postada
ela sim
para a mim
me contemplar
e cobrir com o seu véu

Mas eu não tenho dilemas
penas para espiar
ninguém para namorar
nada de poemas
um verso que seja para escrever
apenas solidão


Nada à Lua posso dar
nada a Lua me oferece
à Lua nada pedi

A poesia acontece
por si
mesmo sem inspiração