Seja bem vindo/a. A mesa da poesia está posta. Sirva-se. Feliz Ano Novo.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

À janela, a ver chover



Postado à janela
cismado
a ver chover
sem ter que fazer
nem para onde ir
entristeço

Nos campos sente-se a erva medrar
com tanto calor
e humidade

Os cães pararam de latir
os pássaros deixaram de voar
esmoreço
desolado
a ver
chover
no molhado

Há dias assim
sem alegria
nem beleza
dias em que até a poesia
induz tristeza

Amiúde deito a cabeça de fora
para espreitar o céu
com desejo de partir

E vou-me embora
sem sair
deixo-me ficar onde estou
até ver

Sem ter para onde ir
sem nada ter que fazer