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sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Amora silvestre




Recordo-a agora que é tempo de vindimas
de cânticos de meninos e meninas
e os silvedos que bordejam os caminhos floriram
e se emolduraram de botões de amora
doces
pequeninos

Nunca me dera por ela embora a tivesse ali
ao alcance das mãos
que frequentemente se apertavam
dos braços que por tudo e por nada se abraçavam
dos rostos que amiúde se tocavam
dos sorrisos que permanentemente se trocavam
e dos olhares que sempre se conluiavam

Porém
naquela manhã louçã
na verde verdade da mocidade
em que se não mente
sabido que uvas
amoras
espigas
e raparigas
amadurecem simultaneamente
mas os rapazes só mais tarde

Na sequência da brincadeira
ela colocou uma amora silvestre
preta
aveludada
entre os seus lábios carnudos
carmim
e de olhar lampejante de sedução
me desafiou assim
matreira
a que eu com os meus lábios também
lhe roubasse o doce drupa

Percebi
não resisti
e lancei-me
de imediato
na inocente disputa

Mas aconteceu o inesperado
quando os nosso lábios se tocaram
e todos os sentidos falaram
soltando descargas eléctricas
magnéticas
por todo o lado

Segurei-lhe então a cabeça pela nuca
para a agarrar com mais força

Ela fez-me o mesmo a mim
donde resultou que sem querer
e sem eu saber
naquela mesma hora
se esborrachou a amora do amor
e lábios
rostos
e coração
se pintalgaram
com o sumo da paixão