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quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Célia Flor de Cerejeira



Ofereci a Célia uma flor de cerejeira
pela Primavera
por a achar serena
linda e perfumada como ela

A brisa primaveril espalhava pétalas mil
pela Natureza
com a mesma delicada leveza
com que o olhar
o sorriso
e o odor
se transformam em amor

Em breve a meiga cerejeira
que antes se enfeitara de brancas flores
se coroou de cerejas encarnadas
provocantes
luzidias
apetecidos sabores

Mas a flor que ofereci a Célia
por pura brincadeira
apenas sorriu nos lábios dela
algumas luminosas manhãs
menos tempo que as flores suas irmãs
duraram nos ramos da cerejeira

Num ápice as suas pétalas se evolaram
em etéreos beijos
e ternas apalpadelas

Tudo não passou de um fugaz amor
de um equívoco de Primavera
que murchou sem frutificar
porque aquela flor não me pertencia
e eu não deveria
sem a amar de verdade
tê-la dado a Célia

Pertencia sim à cerejeira de onde viera
mesa posta de fruta apetecida agora
oferecida pela Primavera
para ser fruída por todos os seres
que se alimentam de desejos
de beijos
de poemas
 e de cerejas

in Mulheres de Amor Inventadas ( Edição do autor-2013)