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quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Dissecando a alma de uma mulher virtuosa




Até a mais rubra rosa tem espinhos
e no espírito da mulher virtuosa
sempre existe
o espinho da vaidade

Tomei alfinetes de prata e de marfim
para lhe dissecar a alma
mas cabei por me retalhar a mim

Dei-lhe a beber o veneno da fantasia
que não mata
mas encanta
se diluído em poesia

Provoquei-lhe mil desejos
perdi-me em seus cabelos
olhos
seios
coxas
e humores

Povoei o meu ser de flores
roxas
e dos ensinamentos sábios
que bebi em seus lábios

Apenas quando
por fim
o sopro da verdade me percorreu o corpo
e a punção da sexualidade
me alterou o coração
se libertou em mim
o escopro da espiritualidade

De mil formas são as formas de vaidade
uma só a da verdade
mais espinhosos são os caminhos
se a rosa é vaidosa