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segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Quando o homem sonha desperta fantasmas




A luz da Lua
coada pela neblina
não chega sequer a ser
luar

É tremulina
a tremeluzir
nas águas do lago
que a brisa faz ondular

Eu e minha amada
cantamos
e dançamos
nus
de mão dada
até de madrugada

Qual faunos fosforescentes
por entre as árvores despidas
despudoradas
plantadas
hirtas
no nevoeiro

Até que fantasmas mudos
nos gritam que já passa da meia-noite
que são horas dos humanos dormir
e eles querem livre o terreiro

De nada nos vale terçar armas
o seu império é o cemitério

Regressamos a casa
cabisbaixos
sem um sorriso
resignados
calados
com vergonha
como se fôramos expulsos do Paraíso

Quando o homem sonha
desperta fantasmas


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