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quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Puro, nu e cru




Dispo-me da Alma
alijo-me da Razão
calo o Coração
e sigo em frente
puro, nu e cru
como se acabado de sair ventre de minha mãe

Sou apenas espírito

Numa massa amorfa
sem vida nem esperança
uma fraga
uma nuvem
gota
gás

Os poemas que escrevi
diluíram-se no vento
das rimas nada resta

Dos caminhos que trilhei
já o meu rastro se apagou

Se tento morrer
noto a impossibilidade de o fazer

Ninguém é capaz de se matar
e de apagar do cosmos

Por isso amanhã lá estarei de novo
a viver com poesia
a alvorada de mais um dia

E depois de amanhã também
indiferente ao vento
à chuva
e ao frio

Puro, nu e cru

E a sonhar!


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