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domingo, 18 de junho de 2017

Se eu fosse árvore, amor.



Se eu fosse árvore, amor
e tu me abraçasses
os meus poemas seriam flores
as folhas louvores
e os filhos frutos

Havia de florir pela Primavera
e dar guarida a todas as aves
que tu mimasses
e que nos meus ramos quisessem nidificar

Deixaria que a aragem
me agitasse a folhagem
convidaria os passantes
de terras distantes
perdidos na paisagem inclemente
a que sob mim se abrigassem
do Sol ardente

Se eu fosse árvore, amor
mas não merecesse o teu cuidado
murcharia desolado
pelo Inverno

Deixaria que o machado do lenhador
despedaçasse o meu tronco terno
e me apartasse os ramos em molhos
para alimentar outros fogos de paixão
que não este que ateias no meu coração
com o carvão dos teus olhos