Seja bem vindo/a. A mesa da poesia está posta. Sirva-se.

domingo, 11 de março de 2018

Assobiando aos bois no bebedouro



Assobiando aos bois no bebedouro

Aprendi com Vinícius
velho criado de servir de meu avô João
a assobiar aos bois no bebedouro
quando regressavam do pasto
ao fim do dia
depois do lauto repasto
de feno
ferrã
e grão

Que prazer era vê-los beber
em manso remanso
de beiços a beijarem a película líquida
amansados pelo meu assobio
e a olharem-me de soslaio
com seus olhos cor de mel
a dizerem-me que lhes agradava a lânguida
melodia

De novo agora ensaio
sem desdouro
com os lábios em bisel
com o enlevo
e a nostalgia
de quando menino
enquanto escrevo
esta poesia
e sorrio
do meu destino

iiuuu, iiuuu, iiuuu…


in Anamnesis (1.ª Edição: Janeiro de 2016)

Sem comentários:

Enviar um comentário