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terça-feira, 17 de abril de 2018

Batendo à porta da felicidade



Montei tenda num descampado
ermo
isolado
e sempre ia perguntando
a quem passava
se era ali que a felicidade morava

Na verdade
nada
nem ninguém me garantia
que era ali que a felicidade vivia
embora por toda a parte
fosse procurada

Mas um jovem que de tão apressado me pareceu feliz
e bem informado
sôfrego
sorriu
e sem se deter
acabou por me dizer
apontando em direcção incerta:
«É só entrar. Nem precisa de bater!»

Olhei à roda
vi uma porta entreaberta
de que me não dera conta
que irradiava uma luz rara
em direção a mim
que de pronto me seduz

Bati
com a timidez de um aprendiz
ainda assim
na esperança tonta
de que naquele descampado
ermo
silencioso
isolado
talvez eu fosse um predestinado

Porém
alguém de dentro e de pronto apagou a luz
me bateu a porta na cara
e diz gritando:
«Vai procurar a felicidade noutro lado, malandro»
«Não aqui!»

Um trôpego ancião
que caminhava devagar
porque trazia às costas a vida moribunda
depois de se sentar no chão
indiferente à barafunda
acabou por me dizer que se eu queria saber
onde a felicidade habitava
teria que primeiro bater
a todas as portas do mundo

E acrescentou
certeiro
esta sentença profunda
fixando os olhos em mim:

«Se de dentro responderem que sim
mais certo será
lá morar apenas a ilusão
mas se ninguém responder
então
de certeza que também aí não é
não»

Ainda assim não desisti!


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