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sexta-feira, 13 de abril de 2018

Tocando o burro à nora



Já parece que foi outrora
mas ainda agora se ouvia
o tilintar da nora
movida sem lamento
pelo paciente jumento
que o garoto descalço
no seu encalço zurzia
se parava para pensar
ou simplesmente urinar

Às voltas andava o burro
o rapaz casmurro
e os alcatruzes de lata
enquanto a água de prata
medrava melões e melancias
e outras sadias poesias
na horta de ao pé da porta

Era assim naquele tempo
como ainda é agora

Tanto o burro da nora
que tanto ri como chora
como o garoto casmurro
sempre andam à roda
de cruzes e devaneios

Enquanto uns alcatruzes
mamões
ficam cheios
e outros mais esguios
ficam vazios de tostões


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