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segunda-feira, 14 de maio de 2018

Urinando em formigueiros e tocas de grilos nos lameiros




Urinando em formigueiros e tocas de grilos nos lameiros

É uma minha lembrança malvada
de criança
mijar em carreiros de formigas
e tocas de grilos
nos lameiros

Será ainda pior que um professo
mandar o Papa e o prior às urtigas

Se me perguntarem qual o significado profundo
deste poema de dilema
limitar-me-ei a dizer que é imundo
que nada tem de poético
que é pura maldade
quiçá pornográfico
quiçá obscenidade

Um mero poema de tretas
que apenas valerá pelo gozo que dá
invectivar um ninho de vespas
ou declamar sagrados versículos
em clube de poetas proscritos

Para minha absolvição
direi 
somente
e em abono da verdade
que não terei sido eu o primeiro
a fazer tal maldade
e que fazia uma tremenda ginástica
para acertar na toca do grilo
ou no buraco do formigueiro
por falta de prática

Era ainda menino de calção
e só desistia quando sentia 
a primeira formiga picar-me os testículos
e já todos os insectos desafectos
me perseguiam no carreiro

Proferia então
uma palavra bem mais obscena
que todo este poema
e… fugia

Assim aprendi
que há uma infinidade de espaço no Universo
onde poderei urinar à vontade
um simples verso que seja
sem importunar
uma formiga tão pequenina
que mal se veja


1 comentário:

  1. Gostei. É simples e corrida sua linda linda linguagem, mas traduz um momento poético inusitado.

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