A rosa
Tinha
rosas no cabelo
por
desvelo
na
face
por
disfarce
no
ventre
porque
sente
e no
seio
por
receio
E uma
rosa maior no coração
que
brilhava rubra
aculeada
Deu-me
prazer
e fez
sofrer
a malvada
Rosa,
mulher, paixão
A malmequer
A delicada
flor malmequer
desfolhei
em
minha mão
alternando
mal com bem
me
quer
ao ritmo
do bater
do
coração
Só eu
amei
porém
E mesmo
depois de desfolhada
continuei
sem saber
se era
bem ou mal
o seu
querer
Malmequer,
mulher, indefinição
A camélia
Na camélia
aveludada
mergulhei
de corpo e alma
lavada
inebriado
de conforto
no
horto do prazer
quase
sem querer
até
que murchou
com igual
calma
Nada
restou
de
verdade
Camélia,
mulher, futilidade
A papoila
A papoila
era louca
rubra
frágil
ágil
descuidada
perfumada
de nada
Enrubescia
o próprio vento
e quem
com ela se cruzava
descuidado
no
descampado
da
vida
mundo
do mau pensamento
Papoila,
mulher, indevida
A Açucena
Na alvura
pura
da
açucena
rezando
a santa novena
havia
espiritualidade
Amei-a
e
sinto saudade
Fiquei
sem saber
com
muita pena
se era
mulher de verdade
Açucena,
mulher, castidade
A Tulipa
Olha-me
de longe
com
olhar distante
convencida
fechada
Sorri
pedante
Dela
não me aproximo
sequer
não é
flor de amor
tão
pouco amante
Tulipa,
mulher, vamp
A Flor de Cerejeira
Uma
cerejeira enxertei
e amei
como nunca ninguém
amei
E depois
que a cerejeira amada
entumescida
floriu
em flor
numa
manhã de Primavera
alva
rosada
polida
de
raios de sol irisada
saíram
cerejas lindas
produto
de tanto amor
Flor
de Cerejeira, mulher, mãe
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