Vejo-me
ao espelho
olho-me
nos olhos
Vejo alguém
que não sou eu
que
não conheço
e que
me espanta
Não é
o meu eu interior
poético
ou lírico
que
vive de amor
que ali
se reflecte
É um
crâneo calvo
um
rosto rugado
um
olhar cismado
que
nada me dizem de mim
E eu
a toda
a hora me olho
e me
vejo por dentro
faça
sol, chuva ou vento
noite
e dia
a
dormir ou acordado
em
tristeza ou alegria
E
sempre me vejo
com
verdade
embora
envolto em sonho
e
ansiedade
Fico
por
isso
espantado
por
ver-me assim retratado
