A esta
angústia maior
que me
morde a mente
neste
dia
responde-me
a própria poesia
Fico um
tanto mais consolado
embora
não de todo aliviado
Porque
escrevo poesia?
Para
calar angústias entranhadas
estas
sensações estranhas
que me desassossegam
o corpo
por fora
e por dentro
e são
sopro de coisas etéreas
como o vento
Há quem
fume e quem beba
mas
porque isso me causa tão incómoda azia
a mim dá-me
para pensar e escrever poesia
Para transformar
medo em coragem
ódio em
amor
prisão
em liberdade
raiva
em tranquilidade
fracasso
em glória
mentira
em verdade
saudade
em presença
maldade
em inocência
indiferença
em solidariedade
vício
em temperança
fome de
sexo em paixão
para
aliviar outros males de coração
E para sufragar
os gritos de milhares de irmãos que sofrem e morrem sem que ninguém lhes valha
para
quem a vida é um verdadeiro inferno
tudo isto
me cicia a poesia neste dia
Como
muita gente
certamente
eu
escrevo poesia
para me
sentir vivo e livre
e
sorver o sabor de me sentir eterno
