Sou
isso sei
fogo-fátuo
fagulha a cruzar o céu da vida
e do mundo
por entre miríades de estrelas
Um grão de areia perdido no areal
de uma praia sem fim sem ser eterna
Uma bolha de ar que rebenta
na espuma efémera
quando as ondas do mar deixam de bater
as arribas
ou os desejos de amar arrefecem
Uma folha que vicejou
e acabou por tombar
amarelenta
levada no vendaval
por entre milhares de folhas iguais
e que o jardineiro a arrasta para o monturo
pelo Outono
Sei que não viverei sempre
ainda assim vivo para sempre
Sem limites
porque o meu limite
está além do Universo
do verso do sentir
do reverso do devir
da razão do dever
e do ter que ser
Quem sou
não sei
nem sou
