Dispo-me da Alma
alijo-me da Razão
calo o Coração
e sigo em frente
puro, nu e cru
como se acabado de sair ventre de minha mãe
Sou apenas espírito
Numa massa amorfa
sem vida nem esperança
uma fraga
uma nuvem
gota
gás
pó
Os poemas que escrevi
diluíram-se no vento
das rimas nada resta
Dos caminhos que trilhei
já o meu rastro se apagou
Se tento morrer
noto a impossibilidade de o fazer
Ninguém é capaz de se matar
e de apagar do cosmos
Por isso amanhã lá estarei de novo
a viver com poesia
a alvorada de mais um dia
E depois de amanhã também
indiferente ao vento
à chuva
e ao frio
Puro, nu e cru
E a sonhar!

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