Ouvi
de
um sibilino espírito de virtude
que
etéreo habita o mítico templo do conhecimento
esta
sábia sentença, que assumi como fadário:
«Só o fogo do amor
vence o frio da vida terrena
mantém o corpo ágil e
livre do envelhecimento torpe
e rasga com luz a
sombra da noite da morte.»
Deitei-me
nu
com
a minha amada desnuda
virgem imaculada
em
alvos lençóis de linho cru
da
cor da geada
em
noite escura e fria de Inverno
à
procura do fogo eterno
da
felicidade
Logo
ao primeiro beijo se inflamou o desejo
como
se beberamos vinho
e
os lençóis tecidos de áspero linho
se
converteram em fina e rendilhada cambraia
e
os corpos enlaçados em suave movimento
se
iluminaram na obscuridade do aposento
da
mais doce e sublime luminosidade
Acendeu-se
a chama do amor no frio da noite escura
almas
envoltas em vapor de ternura e paciência
sublime
ignescência do fogo que arde e não queima
felicidade
que não tarda e perdura
por
tempo indeterminado
E
os alvos lençóis de linho da cor da geada
transformados
logo ao primeiro beijo
na
mais fina e diáfana cambraia
ficaram
rendilhados por fios do meu sémen quente e incolor
e
pela cor carmim do sangue rosa da minha amada
produto
do nosso amor e desejo ardente
E
o fogo do amor daquela noite de núpcias sentida
gravou
para sempre nas nossas almas e mentes
com
fios de ternura, sémen e sangue rosa carmim
o
destino e boa sorte que perdura pela vida
e
que assim sobrevirá feliz para lá da morte

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