Despedacem-me o corpo
que a vida se esvairá num sopro
Retalhem-me o coração
Apenas encontrarão sangue
que livremente escorrerá pelo chão
nem o mais leve indício de afecto
a indelével marca da paixão
Dissequem o meu cérebro
Encontrarão apenas axónios
e neurónios
ondas cerebrais
e nada mais
Não perceberão uma só ideia
tão pouco um projecto
um poema
a mais leve crítica ao sistema
sequer
o menor traço de homem ou mulher
Mas eu estarei lá!
Continuarei a amar e a sonhar
a pôr-me a salvo
expedito
sem soltar um só grito
nalgum lugar fora do espaço-tempo
imune à chuva e ao vento
já no Universo do Espírito
A minha alma só eu posso dissecar
com poesia
e só Deus conhece a sua anatomia
Vale de Salgueiro, 16 de Abril
de 2008
Henrique Pedro

Um poema muito bonito:))
ResponderEliminarHoje : Lágrima em rio de cumplicidade
Bjos
Votos de uma óptima Sexta - Feira.
Maravilhoso!
ResponderEliminarEntrei aqui a partir do Face (fui dar-lhe os parabéns e reparei no blog…)
ResponderEliminarAdorei este poema!
Belíssimo.
Fiz-me sua seguidora para não lhe perder o rumo… :)
Gostaria de o ver na minha "CASA"...
Votos de um Domingo feliz
Beijinhos
MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS