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sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Anatomia da alma




Despedacem-me o corpo
que a vida se esvairá num sopro

Retalhem-me o coração

Apenas encontrarão sangue
que livremente escorrerá pelo chão
nem o mais leve indício de afecto
a indelével marca da paixão

Dissequem o meu cérebro

Encontrarão apenas axónios
e neurónios
ondas cerebrais
e nada mais

Não perceberão uma só ideia
tão pouco um projecto
um poema
a mais leve crítica ao sistema
sequer
o menor traço de homem ou mulher

Mas eu estarei lá!

Continuarei a amar e a sonhar
a pôr-me a salvo
expedito
sem soltar um só grito
nalgum lugar fora do espaço-tempo
imune à chuva e ao vento
já no Universo do Espírito

A minha alma só eu posso dissecar
com poesia
e só Deus conhece a sua anatomia



               Vale de Salgueiro, 16 de Abril de 2008
               Henrique Pedro


3 comentários:

  1. Um poema muito bonito:))

    Hoje : Lágrima em rio de cumplicidade
    Bjos
    Votos de uma óptima Sexta - Feira.

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  2. Entrei aqui a partir do Face (fui dar-lhe os parabéns e reparei no blog…)
    Adorei este poema!
    Belíssimo.

    Fiz-me sua seguidora para não lhe perder o rumo… :)
    Gostaria de o ver na minha "CASA"...

    Votos de um Domingo feliz
    Beijinhos
    MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS


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