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domingo, 27 de janeiro de 2019

Grilamesa põe a mesa




A grilamesa põe a mesa
ladeada pelo rei galo
e pela galinha rainha

O perú mestre-de-cerimónias
de cara deslavada
depenado
ar circunspecto
e semblante cadavérico
desfolha o portefólio
iluminado por velas esteáricas

Estuda os passos do compasso
do velório quimérico
que vela o presunto do porco defunto

Pesado é o clima emocional
mais próprio dum funeral

No ar o cheiro a cera queimada
populares cantam e tocam harmónicas

A banda a cavalo ensaia o hino nacional
a guarda de honra marca passo
faz que anda mas não anda
drapeja a bandeira no mastro da asneira
estrelejam foguetes no céu

Poetas imundos recitam poemas abstractos
profundos
dançam a sarabanda
por esmola
comem pão com cebola

Joaninha voa voa
leva as carta a Lisboa
se voar bem dão-lhe um vintém

Afinal não morreu ninguém, entendeu?!

Quem?! Eu?! Nada

Mas gostou?!

Nem sei

Vale de Salgueiro, quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009
Henrique Pedro



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