A grilamesa põe a mesa
ladeada pelo rei galo
e pela galinha rainha
O perú mestre-de-cerimónias
de cara deslavada
depenado
nú
ar circunspecto
e semblante cadavérico
desfolha o portefólio
iluminado por velas esteáricas
Estuda os passos do compasso
do velório quimérico
que vela o presunto do porco defunto
Pesado é o clima emocional
mais próprio dum funeral
No ar o cheiro a cera queimada
populares cantam e tocam harmónicas
A banda a cavalo ensaia o hino nacional
a guarda de honra marca passo
faz que anda mas não anda
drapeja a bandeira no mastro da asneira
estrelejam foguetes no céu
Poetas imundos recitam poemas abstractos
profundos
dançam a sarabanda
por esmola
comem pão com cebola
Joaninha voa voa
leva as carta a Lisboa
se voar bem dão-lhe um vintém
Afinal não morreu ninguém, entendeu?!
Quem?! Eu?! Nada
Mas gostou?!
Nem sei
Vale de Salgueiro, quarta-feira,
23 de Dezembro de 2009
Henrique Pedro

Excelente poema...Adorei.
ResponderEliminarO nosso amigo Gil António, diz:- Palavras de amor, que " queimam" ... as palavras
Bjos
Votos de uma óptima noite.