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terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Amar é bem-querer


 
 
Seja o amor paixão
amizade, fraternidade
ou compaixão
sempre é
admiração

Por isso eu admiro quem amo
porque com quem amo
me encanto

Embora nem sempre ame
quem admiro
porque me causa espanto

Também amo de quem me condo-o
porque não gosto de ver sofrer
e amar é
tão só...

bem-querer

sábado, 31 de janeiro de 2015

Poesia que sinto e não escrevo


 

Passa nas nuvens
nos sonhos
nos desejos
a correr
fugaz

Sob mil formas de amar
e de sofrer
de vento
e de contratempo

A poesia que sinto e não escrevo

Porque não sei
não quero
não tenho tempo
ou não sou capaz

A poesia que sinto
e não sei escrever
é angústia
é tormento

Epifenómeno do meu viver

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Canto e assobio baixinho


 

 
Quando caminho
pelo campo
sozinho
canto e assobio
baixinho
como quando menino

Como se sem querer quisesse
com a natureza melhor me identificar

Como se eu fora ave
no céu
a voar

Vento
aragem
miragem
sobre os campos
a pairar

Ideia
sonho
risonho
flor
a florir

Vontade de amar

Coração
a bater
sem mãos a medir

Poeta

Alma aberta

Razão
prestes
a explodir

sábado, 24 de janeiro de 2015

A quem me lê me confesso


 

Poeta assumido
sempre falo de mim
na poesia que escrevo
por não saber guardar segredo

Mesmo quando de mim
nada digo
porque de mim
pouco sei

E mais de mim digo
naquilo que de mim escondo
do que naquilo que de mim
tento não dizer
por querer
ou no que de mim
escondo sem saber

Mas quem me souber ler
com perspicácia
vencerá a minha audácia
em me esconder
e mais do que eu mesmo
de mim mais ficará a saber

De mim próprio apenas sei
confesso
que não sou não
o poeta que penso
nem o poeta professo
que ainda assim
gostaria de ser

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

A partir das sete horas da manhã de amanhã


 

 

Rigorosamente a partir das sete horas da manhã
de amanhã
hora a que habitualmente me levanto
deixarei de acreditar
e de ficar à espera

Porei de parte ilusões
ambições
fantasias
arrelias
sonhos de glória
e a ideia maior de passar à História
herói ou santo

Deixarei de ter dúvidas
e de me angustiar

A partir das sete horas da manhã
de amanhã
rigorosamente
hora a que habitualmente me levanto

Limitar-me-ei a viver
a voar livre como os passarinhos
e a assobiar pelos caminhos
como quando era criança
quando ainda não sabia o que era angústia
ou esperança

A partir das sete horas da manhã
de amanhã
irei limitar-me a dar
e a receber amor
a criar alegria
a espantar a dor
sem esmorecer

Contudo
irei continuar a escrever
poesia

sábado, 17 de janeiro de 2015

A mim não me importa o que escrevo


 

 
A mim não me importa o que escrevo
nem se o faço no vento
na água
no tempo
ou noutro meio qualquer

 
Muitas vezes nem sei o que digo
o que faço
ou semeio sem querer

Importam-me sim
as mil coisas que outros leem
naquilo que eu escrevo
com enlevo

Cada um à sua maneira
seja qual for sua cor
ou sua bandeira

A mim
basta-me pensar
que cada novo verso

que eu publicar
por mais bisonho
abre um novo universo
que alguém irá povoar
de sonho