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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Sonho e sinto saudade


 

 

Não tenho tempo
presente
passado
nem idade

Apenas sinto
saudade

Não tenho futuro
obscuro ou risonho

    Não tenho espaço
nem sei o que faço

Apenas sonho

Não sei que coisas são paixão
rancor
penas
ou compaixão

Vivo no universo da fantasia
o mundo da poesia

Apenas sinto
amor

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Abro a porta de trás da alma


 

Ouço sons ladrados no silêncio da noite
pios fantasmagóricos de aves noctívagas
ruídos de discotecas
sons de tiros
chiar de pneus
sirenes de ambulâncias
gritos de fome e de dor
clamor de revolta
insultos
blasfémias
ódios gritados
amores martirizados
violência doméstica

Abro a porta de trás da alma
que dá directamente para o mundo

Milhares de mãos entendidas
no umbral
forçam a entrada
pedem nada

Pouco mais tenho para lhes dar

Dou-lhes poemas
do meu jantar
frugal
para eles caviar
certamente

Reluzem luzes semeadas na escuridão da Terra
tremeluzem luzeiros na obscuridade do Firmamento

Acendem-se angústias na penumbra do meu ser
tenho o coração a arder
em chaga viva
vejo-me pregado no Crucifixo que trago dependurado ao peito
ofusca-me a luz do arrebol
engulo a saliva

Meu Deus que raio de pesadelo!
 
Para quando o Apocalipse?

Já no próximo eclipse
do Sol?

Misericórdia!

Dai-nos tempo para vestir a Lua
que vai nua!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Ao deus-dará


 

 

Adrede
caminho a esmo

Avanço

Mesmo que seja o vento
a traçar-me o caminho
a tecer a rede
a tramar-me o destino

Sem rumo

Ora por veredas que caiem a prumo
nas arestas da montanha
ora em terreno plano

Interno-me na floresta
do que me resta
de espírito lhano

A minha alma não sei por onde anda
à minha vontade
tanto se lhe dá

Caminho por aí
sem sair daqui
nem por ir além

Ao deus-dará

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Amar é bem-querer


 
 
Seja o amor paixão
amizade, fraternidade
ou compaixão
sempre é
admiração

Por isso eu admiro quem amo
porque com quem amo
me encanto

Embora nem sempre ame
quem admiro
porque me causa espanto

Também amo de quem me condo-o
porque não gosto de ver sofrer
e amar é
tão só...

bem-querer

sábado, 31 de janeiro de 2015

Poesia que sinto e não escrevo


 

Passa nas nuvens
nos sonhos
nos desejos
a correr
fugaz

Sob mil formas de amar
e de sofrer
de vento
e de contratempo

A poesia que sinto e não escrevo

Porque não sei
não quero
não tenho tempo
ou não sou capaz

A poesia que sinto
e não sei escrever
é angústia
é tormento

Epifenómeno do meu viver

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Canto e assobio baixinho


 

 
Quando caminho
pelo campo
sozinho
canto e assobio
baixinho
como quando menino

Como se sem querer quisesse
com a natureza melhor me identificar

Como se eu fora ave
no céu
a voar

Vento
aragem
miragem
sobre os campos
a pairar

Ideia
sonho
risonho
flor
a florir

Vontade de amar

Coração
a bater
sem mãos a medir

Poeta

Alma aberta

Razão
prestes
a explodir