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domingo, 19 de abril de 2015

Por não ter tempo a perder


 

 
Por não ter tempo a perder
a pensar

Tempo para me demorar
a ir
e a vir
do coração ao mundo
da razão ao cosmos
de mim à eternidade

Tempo para me perder no dia-a-dia
em tecnologia
em cálculos
em tramas
em enredos judiciais

Nos livros de contabilidade
nas páginas dos jornais
e em tudo o mais

Os meus poemas são atalhos
curto circuitos
auto-estradas mentais
entre mim e a verdade
pendente

Por não ter tempo a perder
a pensar
escrevo poesia
para prontamente
lá chegar

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Maravilhado ando eu com o Amor


 
 


Maravilhado
ando eu
com o Amor

Mais do que com o Sol ou a Lua
as estrelas
o Céu
a Terra
o mar
o trovão
as aves e os aviões
que voam nos ares
e atolam a Razão

O Amor
esse
extravasa a mente
e transborda o coração

É mais do que a gente sente

A mais generosa dádiva do Criador

O prodígio maior da Criação

 
in “Introdução à Eternidade”(henrique pedro-2013)

sábado, 14 de março de 2015

Medeia




Melhor seria
não ter olhos para te ver
e me deixar fascinar
pelo teu olhar

Melhor fora ser surdo e mudo
para não poder ouvir
teu canto de sereia
nem te poder responder
e me deixar enredar
em teus encantos de Medeia

Não ter braços
para não te poder abraçar
sem mais te largar

Nem ter sexo
para não te cobiçar
e tu
por reflexo
me poderes a mim
ciar

Melhor seria
que eu não tivesse coração
nem Razão
para não cair nesta cruel contradição

Mas a vida é assim
e assim sendo
não me arrependo

Mais vale sentir todos os sentidos
abertos e despertos
e não te poder largar
nem tu
a mim
me poderes deixar

Mais vale sentir-me Aquiles aprisionado
a teu lado
e saber-te uma sereia Medeia
falaz
a mim aprisionada

Ouvir
teu pranto
de mulher apaixonada
e
ser capaz
de resistir

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Eu sabia que um qualquer dia




Eu sabia
que um qualquer dia
havia
de lá tornar

Era o coração que mo dizia

E que ao lá voltar
tornava a outros lugares
separados no tempo
espalhados mas ligados
no mesmo fio de sentimento
numa estranha conexão
que só mais tarde compreendi

Só não sabia
que seria
assim tão de repente
sem razão visível
nem causa aparente
e que sentiria o que senti

Só não sabia
que encontraria
tudo assim tão diferente
tantos espaços desertos
tanta gente ausente
tantos silêncios abertos

Fiquei por isso parado
calado
no doce prazer de sofrer
a recordar
tomado de nostalgia

Daquela galega morrinha
que ainda agora
agorinha
me não mata
mas me mói

Doer
de verdade
dói a saudade

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Sonho e sinto saudade


 

 

Não tenho tempo
presente
passado
nem idade

Apenas sinto
saudade

Não tenho futuro
obscuro ou risonho

    Não tenho espaço
nem sei o que faço

Apenas sonho

Não sei que coisas são paixão
rancor
penas
ou compaixão

Vivo no universo da fantasia
o mundo da poesia

Apenas sinto
amor

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Abro a porta de trás da alma


 

Ouço sons ladrados no silêncio da noite
pios fantasmagóricos de aves noctívagas
ruídos de discotecas
sons de tiros
chiar de pneus
sirenes de ambulâncias
gritos de fome e de dor
clamor de revolta
insultos
blasfémias
ódios gritados
amores martirizados
violência doméstica

Abro a porta de trás da alma
que dá directamente para o mundo

Milhares de mãos entendidas
no umbral
forçam a entrada
pedem nada

Pouco mais tenho para lhes dar

Dou-lhes poemas
do meu jantar
frugal
para eles caviar
certamente

Reluzem luzes semeadas na escuridão da Terra
tremeluzem luzeiros na obscuridade do Firmamento

Acendem-se angústias na penumbra do meu ser
tenho o coração a arder
em chaga viva
vejo-me pregado no Crucifixo que trago dependurado ao peito
ofusca-me a luz do arrebol
engulo a saliva

Meu Deus que raio de pesadelo!
 
Para quando o Apocalipse?

Já no próximo eclipse
do Sol?

Misericórdia!

Dai-nos tempo para vestir a Lua
que vai nua!