Apraz-me falar de amor
por falar
alegremente
seja com que mulher for
Madura
balzaquiana
adolescente
mundana
casta
beata
rameira de vida indevida
casada
solteira
ou simplesmente nubente
Estando apaixonados
ou nem tanto
Sempre enamorados
pela vida e pela verdade
com o encanto do vento
que sopra tal encantamento
por nós a dentro
sem que sintamos ansiedade
Em tarde morna de Outono
ou em dia tórrido de Verão
enquanto tomamos chá
café ou laranjada
numa esplanada
ou à lareira para espantar o sono
sem outra condição
que não seja misturar
amor, arte e fé
Ou quando passeamos à beira mar
de mãos dadas
mesmo sem nada dizer
Ou deitados desnudos
na praia
na cama
ou em qualquer outro lugar
Assumida que seja
entre nós
a uma só voz
a inocência cristalina
de ter
no amor
a razão única
que nos anima





