Nestes
dias anormais
esgaravato
raízes de poemas
no
húmus humedecido
pelas
primeiras chuvas outonais
Agora
que a Natureza de novo sorri
verdejante
e florida
iludida
travestida
de Primavera
quando
o longo e frio Inverno
já
a espera
Apenas
desenterro dilemas
angústias
e ansiedade
que
exponho ao vento e à chuva
ao
sol morno de Outono
Angústias
sem razão de ser
dilemas
de verdades
ansiedade
sem casualidade
Mas
nem o sol as seca
nem
a chuva as dilui
nem
o vento as leva para longe
As
aves passam indiferentes
em
seus voos sorrateiros
no
céu cerúleo
maculado
de nuvens
Procuram
sementes nos terreiros
e
não poemas
dementes
Ouço
cães a ladrar com desnorte
porque
o frémito da minha melancolia
lhe
fere os tímpanos
e
lhes causa frenesia
Ponho-me
então a sonhar
para
lá da morte
Sonhos
que arrastam consigo todos os meus afectos
para
espaços mais amplos e abertos
mas
nem assim a angústia se dilui
e
mais se concentra
Comprovadamente
já não fui
que
era suposto ser
Resta-me
o sonho de que agora
pelo
Outono
serei
mais do que tudo que sonhei