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sábado, 28 de janeiro de 2017

Um poema e um prato de feijão




Gosto de feijoada à transmontana
ou à brasileira
embora aceite que não é comida ligeira
sobretudo ao jantar

Também gosto de declamar um bom poema
um soneto
uma odisseia
uma simples quadra que seja
que comporte alegria e uma ideia imaculada

Embora haja poesia que mete dó
e seres humanos que fazem doer o coração
porque morrem à míngua, tão só
por não terem um prato de feijão para comer
e nem um simples poema saibam ler

Não estou certo, porém
nem de longe nem de perto
que basta poesia e um prato de feijão
para se alcançar a salvação

Mas estou em crer com verdade
que um poema e uma feijoada
confecionados com arte
ou um simples naco de pão
resolveriam em grande parte
os problemas da Humanidade



segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Deus faz barulho demais



Deus faz tanto barulho
que só não O ouve quem não quer

Aqui na Terra
porque lá no Céu
parece ser silencioso
porque não são precisos ouvidos para ouvi-Lo
nem olhos para enxergá-Lo
e há luz suficiente para nos iluminar

Por isso as estrelas nos piscam os olhos
e falam baixinho

Aqui na Terra, porém
Deus
faz barulho demais
para os ouvidos dos pobres mortais

Talvez para Se fazer ouvir

São os trovões
as tempestades
os vulcões
as ondas do mar

Será que Deus não tem
outras formas de Se revelar?

Eu diria que sim
que tem

Por mim
ouço-O na sinfonia do Amor
vejo-O no halo das Cores
cheiro-O no aroma das flores
imagino-O no Universo sem medida
e sinto-O no mistério da Vida
no magistério da Dor



sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

A alma tal qual a sinto




A alma tal qual a sinto
não é branca
ou negra
etérea
ou sequer vaporosa

É uma luz interior
cor-de-rosa

Um vórtice de amor dentro do meu ser
que anseia tudo abraçar em redor
ao som de uma cósmica orquestra sinfónica

A Terra
o Céu
as Estrelas e Galáxias
o Universo inteiro
e tudo devolver à vida
em explosão cósmica de amor

A alma tal qual a pressinto
é um sopro
de pensamento

Sou eu e meus eus
sem corpo
feitos vento
a voar
para Deus



domingo, 15 de janeiro de 2017

Efêmera é a flor do amor




Efêmera é a flor do amor-paixão
cujas pétalas as leva o vento
ao mais leve sofrimento

Efémeros são o seu odor
e a sua cor

São o perfume e o rubor
da dor

Efêmera é a flor do amor-paixão
com que nos perdemos

Murcha sem razão
sem avisar
e sem querer

Só para podermos aprender
a melhor
e mais
amar




quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Será amor, a paixão?

















Entre homem e mulher
sempre poderá haver
uma relação de amor

Poderá ser amizade
de verdade
ou até acontecer
assolapada paixão

Mas será amor, a paixão
se reclama exclusividade
e é prisão?

Amor é partilha
ágape
liberdade
inclusão

A paixão
por si só
não é amor, não
é antes fonte de dor

Entre paixão, ódio ou indiferença
o amor faz a diferença




terça-feira, 10 de janeiro de 2017

A alegria triste de Inverno



Inverno

Inferno frio
acinzentado

Céu coroado de nuvens
que me fazem refém
do silêncio denso
pesado
compassado
que se instala por mim a dentro

Frio fino que me morde a pele
me penetra e me pica
os ossos e os músculos

Inverno

Ténues crepúsculos são os meus dias
e as noites distendidas
nostalgias de labaredas
acesas
na alma

Tempo de calma
de reflexão
hora de resistir
de me despir por dentro
e me vestir por fora

Sangue a ferver no coração
a implodir de liberdade
e a explodir de caridade
e paixão

Inverno

Uma alegria triste
que em mim persiste