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terça-feira, 21 de novembro de 2017

Que mil bombas de paz e amor deflagrem sobre a Terra





Calar a verdade é mentir

Dar a pensar receber é subtrair

A paixão sem amor é uma forma de odiar

Proclamar a paz a pensar na guerra
é uma forma de guerrear

Urge libertar a Humanidade do terror e da animalidade

Que mil bombas de paz e amor deflagrem sobre a Terra
e os donos do mundo reflictam
para que Hiroxima e Nagasaki se não repitam



segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Palavras que devem ser ditas





Há palavras que devem ser ditas
escritas
reditas
bem ditas
sentidas e melhor ouvidas
ainda que o poema possa ser proscrito
amaldiçoado

Há uma legião imensa de pobres criaturas
a morrer com fome de pão
e sede de amor e de água
metamorfoseados em espectros
de miséria e morte

Enquanto doutra sorte
uma pequena parte Humanidade
ou o que dela resta
vive túrgida
anafada
sobrealimentada

Em permanente Entrudo
feito de tudo e de  nada
de paródia
ilusão
e vanglória

Lambuzada de vícios e de guerra
falsidade
vaidade
prepotência
intolerância
sexo
e escândalos sem nexo

Procuram a santidade alguns
é verdade
poucos
muito poucos
quase nenhuns

Um dia porém
no tempo e espaço de cada um
tudo acabará podre
putrefacto
feito em merda
fase derradeira
da mais cruel e disforme metamorfose final

O mais belo corpo de mulher
por mais sensual e bronzeado que seja
o mais caro perfume Chanel
o mais poderoso ditador
o jacto privado do machucho maior
o mais glorioso doutor
a obra poética mais festejada
tudo acabará em nada
espuma de coisa nenhuma

Nem os ossos se aproveitarão para os cães roer
transformados em cheiro nauseabundo
de cadáver a apodrecer
em escárnio e mal dizer
em esquecimento perdido no vento

E todas as bombas atómicas da Terra
valerão menos que um fotão perdido no Cosmos

Todas as alegrias e dores
sorrisos e lamentos
entrarão no esquecimento
varridos da memória
vazios de nada e de ninguém

Para os que não crêem na alma
a vida não passa de uma mera perda de tempo
ante a niilista metamorfose final

Salva-se a palavra de Cristo
porém
e salva-nos a nós
a esperança de que seremos outros
melhores e mais felizes em espírito
no Além

Por isso eu que sou livre
e tenho o coração liberto
de deslumbramento e ambição
e não venero nenhum césar na Terra
ou outro mito qualquer
apenas glorifico o Amor e louvo a Deus
qual gladiador a caminho para a morte

Deixemo-nos de jactância e vaidade
sejamos humildes
cultivemos a Temperança
e a Amizade
e pratiquemos a Caridade






domingo, 19 de novembro de 2017

À janela à espera da próxima revolução



Foi a vida

Foi a vida que lhe atou os pés
e as mãos

Não lhe vendou os olhos
nem lhe tapou os ouvidos
nem lhe calou a boca

Continua a ver
a ouvir
a falar
atenta ao mundo
embora sem nada mais poder
por agora
fazer

Mergulhada em inconformismo desconcertante
de amargura instalada no coração
angustiada
a esperança a mantém acordada
vigilante

Atenta
à janela
preparada para o que der e vier
à espera da próxima revolução

Que venha ela

Já!

Que seja de amor e salvação



sábado, 18 de novembro de 2017

A poesia de amor não passa de uma farsa




A poesia de amor não passa de uma farsa
de uma momice
de uma doce aldrabice

De uma mistificação
rimada
declamada
cantada
decantada
nem sempre bem intencionada

De um fingimento de sentimento
de uma falha da razão

De um chorrilho de fantasias
falsidades
meias verdades
falsas alegrias
piruetas e caretas
esgares próprios da paixão

A poesia de amor não passa de uma farsa
com que o poeta
com versos perversos se disfarça

A poesia de amor é um paradoxo
uma desgraça
um meio pouco ortodoxo
de redenção



terça-feira, 14 de novembro de 2017

No reverso do universo




Nada do que sonho
ou imagino
existe em lado nenhum

Dentro de mim há miríades de outras entidades
ideias
sonhos
fantasias
angústias
irrealidades
que eu não consigo expressar em nenhum dos poemas que escrevo
porque não existem na Terra
no umbigo do Sistema Solar
o mundo de verdade

Eu vivo no reverso do universo

É esta a raiz da minha crónica ansiedade


domingo, 12 de novembro de 2017

Colhendo poemas directamente das árvores





O benefício maior de se viver no campo
é podermos ir ao pomar
colher poemas directamente das árvores
sempre que nos apetecer

Quando não são as aves que no-los trazem
adejando à nossa volta
e chilreando melodias

Ou o Sol
ou a lua
ou as estrelas
que com os seus raios de luz escrevem eles próprios
os versos
na nossa alma

enquanto nós nos limitamos
a ler
deslumbrados

E quando pela manhã abrimos a janela
e descobrimos que não temos nenhum sítio para aonde ir
nada mais que fazer
atiramos um punhado de milho aos pardais
e pomo-nos a escrever