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sábado, 25 de novembro de 2017

Eu? Um proto deus, um Prometeu




Sei aquilo que sinto
Sinto aquilo que sou
Sou aquilo que sinto
Sou aquilo sou
Proto deus
Prometeu

Cartesiano
Se minto
A mim me minto
A mim me engano

Eu acredito em Deus
Porque tenho consciência de mim
E em mim acredito

Sinto e penso com o coração, com as veias e as artérias, as células, o cérebro e razão, os instintos e os afectos.
Sinto dor em cada poro e sofro com cada pelo que cai.
 Sou algo que se abre como uma flor no meio de uma floresta de dor, de angústia, suposta felicidade e amor.
 Uma larva que se transforma em metamorfoses de alegria e sofrimento, de vida e fantasia.

Olho o Sol a contra luz
Do lado de cá da vidraça do Firmamento
E cego
Sem ver a Deus

Vislumbro apenas a sombra de mim
A sombra do meu espírito
Batido pela luz de Deus
Por isso me sinto um proto deus
Um Prometeu.

Agrilhoado à minha angústia
Devoro-me a mim mesmo






sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Terra Mater




Enlevam-se o meu olhar e o meu coração
Neste doce mar de oliveiras prateadas
Meu bendito berço de mil colinas encantadas
Toma-se o meu ser da mais santa comoção.

Bandos de aves livres voam em livre formação
Pela branda brisa do cair da tarde embaladas
São pela nossa Mãe Natureza abençoadas
Dão asas e graça à sua natural paixão

Terra sem igual sagrada pela oliveira
Aspergida por espiritual quietude
É ganha-pão de gente simples, pura e ordeira

Que nos úberes vales de rio e ribeira
Cultiva sua grata agrária virtude
Assim haja paz igual na Terra inteira


quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Quando a minha alma em mim anda perdida



Estou só

Na casa vazia
televisão acesa sem som
silêncio denso
constrangedor

Um cálice de vinho do Porto
semivazio
sobre a mesa

Meio morto
bebo
e encho de novo o cálice da ansiedade

Mergulho
absorto
mais e mais
na mais amarga solidão
amálgama de filosofia, poesia e ansiedade

Descubro
com emoção
que existo
e que a minha alma em mim anda perdida

Não sei que lugar ocupo na humanidade

Mas eis que o telefone toca!

É quem me ama que me chama!

Emerjo na piscina da alegria
qual campeão olímpico
ovacionado pela multidão
em mil imagens de caleidoscópio

Agradeço os aplausos

Aplaudo-me a mim próprio




terça-feira, 21 de novembro de 2017

Que mil bombas de paz e amor deflagrem sobre a Terra





Calar a verdade é mentir

Dar a pensar receber é subtrair

A paixão sem amor é uma forma de odiar

Proclamar a paz a pensar na guerra
é uma forma de guerrear

Urge libertar a Humanidade do terror e da animalidade

Que mil bombas de paz e amor deflagrem sobre a Terra
e os donos do mundo reflictam
para que Hiroxima e Nagasaki se não repitam



segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Palavras que devem ser ditas





Há palavras que devem ser ditas
escritas
reditas
bem ditas
sentidas e melhor ouvidas
ainda que o poema possa ser proscrito
amaldiçoado

Há uma legião imensa de pobres criaturas
a morrer com fome de pão
e sede de amor e de água
metamorfoseados em espectros
de miséria e morte

Enquanto doutra sorte
uma pequena parte Humanidade
ou o que dela resta
vive túrgida
anafada
sobrealimentada

Em permanente Entrudo
feito de tudo e de  nada
de paródia
ilusão
e vanglória

Lambuzada de vícios e de guerra
falsidade
vaidade
prepotência
intolerância
sexo
e escândalos sem nexo

Procuram a santidade alguns
é verdade
poucos
muito poucos
quase nenhuns

Um dia porém
no tempo e espaço de cada um
tudo acabará podre
putrefacto
feito em merda
fase derradeira
da mais cruel e disforme metamorfose final

O mais belo corpo de mulher
por mais sensual e bronzeado que seja
o mais caro perfume Chanel
o mais poderoso ditador
o jacto privado do machucho maior
o mais glorioso doutor
a obra poética mais festejada
tudo acabará em nada
espuma de coisa nenhuma

Nem os ossos se aproveitarão para os cães roer
transformados em cheiro nauseabundo
de cadáver a apodrecer
em escárnio e mal dizer
em esquecimento perdido no vento

E todas as bombas atómicas da Terra
valerão menos que um fotão perdido no Cosmos

Todas as alegrias e dores
sorrisos e lamentos
entrarão no esquecimento
varridos da memória
vazios de nada e de ninguém

Para os que não crêem na alma
a vida não passa de uma mera perda de tempo
ante a niilista metamorfose final

Salva-se a palavra de Cristo
porém
e salva-nos a nós
a esperança de que seremos outros
melhores e mais felizes em espírito
no Além

Por isso eu que sou livre
e tenho o coração liberto
de deslumbramento e ambição
e não venero nenhum césar na Terra
ou outro mito qualquer
apenas glorifico o Amor e louvo a Deus
qual gladiador a caminho para a morte

Deixemo-nos de jactância e vaidade
sejamos humildes
cultivemos a Temperança
e a Amizade
e pratiquemos a Caridade






domingo, 19 de novembro de 2017

À janela à espera da próxima revolução



Foi a vida

Foi a vida que lhe atou os pés
e as mãos

Não lhe vendou os olhos
nem lhe tapou os ouvidos
nem lhe calou a boca

Continua a ver
a ouvir
a falar
atenta ao mundo
embora sem nada mais poder
por agora
fazer

Mergulhada em inconformismo desconcertante
de amargura instalada no coração
angustiada
a esperança a mantém acordada
vigilante

Atenta
à janela
preparada para o que der e vier
à espera da próxima revolução

Que venha ela

Já!

Que seja de amor e salvação