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sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

A luz do amor



Há uma luz que vem de Deus
que tem origem fora do Universo

Uma luz que não é desviada
pelos corpos pesados em movimento
e a que se não aplica a Teoria da Relatividade
porque é absoluta verdade

Luz que não é atraída pelas galáxias
que distorcem a luz das estrelas
dando-nos uma imagem ilusória do Cosmos
como se projectada nas águas
ondulantes
de um lago

Entra por nós a dentro
reflecte-se na nossa alma
acalma os corações famintos
ilumina a escuridão da cega paixão
causadora da dor
adoça os instintos
e levanta o vento da amizade

Essa Luz

É a Luz do Amor!




quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Tantas coisas sem tino a vida tem



Tantas coisas sem tino a vida tem

Todas têm destino
porém

Na paz ou na guerra
cá na Terra ou lá nos céus
mesmo a morte
meu Deus!

Os golpes de má sorte
a dor que não acaba
a felicidade adiada
ou a paixão que chega ao fim
parecem não ter sentido
nem valerem de nada
qual vozes que o vento leva

Mas será que é assim?

A lembrança delével que o tempo releva
e na memória se tolda
poderá bem ser a transformação indelével
que nos molda
definitivamente

Tantas coisas sem tino a vida tem

Perceberemos com o tempo
porém
que tudo fica em nós
para sempre
e tudo levamos para o além
certamente


quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

A pensar que penso só porque penso que penso








Por vezes fico parado
a pensar

A pensar que penso
só por pensar que penso

Alheado por fora
fascinado por dentro

Sem me aperceber
sequer
do vento
que por dentro
me perpassa
vazio de sentimento
nem quente
nem frio

A olhar o vazio
sem graça
sem me deixar adormecer
a pensar que penso
só porque penso que penso

Fora de mim nada me diz
dentro de mim nada me digo
o coração nada sente
sem penas nem dilemas em minha mente

Entremente
rumino apenas poesia
regurgito poemas
somente

 A pensar que penso
simplesmente
só porque penso que penso




terça-feira, 26 de dezembro de 2017

A mim sem mim me imagino







Nas nuvens cavalga o destino
disparando sobre mim
relâmpagos e trovões

Não sei que substância é a minha
que força move o meu pensamento
que sentimento me comove
temo a mim
anjo serafim
em mim
me perder

No meu cérebro bailam dilemas
que florescem em poemas
garantes da minha glória

Sinto medo de os esquecer
sem outro meio  de os escrever
que não seja na memória

Rendo-me ao vento divino
a mim
sem mim
me imagino


domingo, 17 de dezembro de 2017

Presépio…


   
   

Projecto épico do Menino Jesus
nascido de Deus envolto em luz
no ventre da Virgem Mãe
advento de um novo tempo
marco indelével da História

Chama de amor e de paz
brilha na escuridão da guerra
que oprime toda a Terra
e traz a Humanidade refém
no engano da fugaz fama

É Cristo que para nossa salvação
triunfa em cada Natal
sobre a dor e o sobre mal
e nos redime em cada ano
rumo à celestial vitória

   Henrique Pedro

B O A S  F E S T A S


quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Nem sei se ainda por cá ando ou se já me fui embora







Esta melencolia que me assola
em dias de chuva aborridos
ou quando o sol poente
me deixa lânguido da saudade
de quem anda ausente
estando embora presente
é uma tristeza deliquescente
mais própria dos vencidos

Abandono-me à nostalgia emergente
e paro de me angustiar
viro as costas às perguntas do costume
que sei
de antemão
não terem respostas

É quando uma morrinha miudinha
me toma os sentidos
a ponto de não me sentir nada
nem ninguém
nem magma
nem matéria
em nada materializado 
em nenhum estado de espírito realizado
ocaso ou aurora

Fico sem saber se ainda por cá ando
ou se já me fui embora
se a poesia é coisa séria
ou não passa de uma pilhéria

Até que o ensejo de um bocejo
me faz despertar dessa sonolência demente
e retomar a vida corrente