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sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Balada nupcial



Ouvi
de um sibilino espírito de virtude
que etéreo habita o mítico templo do conhecimento
esta sábia sentença, que assumi como fadário:
«Só o fogo do amor vence o frio da vida terrena
mantém o corpo ágil e livre do envelhecimento torpe
e rasga com luz a sombra da noite da morte.»

Deitei-me nu
com a minha amada desnuda
virgem imaculada
em alvos lençóis de linho cru
da cor da geada
em noite escura e fria de Inverno
à procura do fogo eterno
da felicidade

Logo ao primeiro beijo se inflamou o desejo
como se beberamos vinho
e os lençóis tecidos de áspero linho
se converteram em fina e rendilhada cambraia
e os corpos enlaçados em suave movimento
se iluminaram na obscuridade do aposento
da mais doce e sublime luminosidade

Acendeu-se a chama do amor no frio da noite escura
almas envoltas em vapor de ternura e paciência
sublime ignescência do fogo que arde e não queima
felicidade que não tarda e perdura
por tempo indeterminado

E os alvos lençóis de linho da cor da geada
transformados logo ao primeiro beijo
na mais fina e diáfana cambraia
ficaram rendilhados por fios do meu sémen quente e incolor
e pela cor carmim do sangue rosa da minha amada 
produto do nosso amor e desejo ardente

E o fogo do amor daquela noite de núpcias sentida
gravou para sempre nas nossas almas e mentes 
com fios de ternura, sémen e sangue rosa carmim
o destino e boa sorte que perdura pela vida
e que assim sobrevirá feliz para lá da morte




terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Basta-me o teu olhar




Basta-me o teu olhar, sim, para começar
Que não me ignores, que não fujas de mim
Ainda que se de mim foges, inda assim
Mais esperanças me dás de me vir a amar

Se eu te olho com olhos de encantar
É só porque te quero bem, sem outro fim.
Olha-me com olhos de que estás afim
Então, sim, ver-me-ás a rir e a cantar

Mas se teimas em fugir e a não me ver
Nem assim a mim tu me farás desistir
Apenas aumentarás meu cruel sofrer

E se temes que eu esteja a mentir
Pára para me olhar e bem entender
Que o amor que sinto não é a fingir


segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

No limiar da Fé



Gosto de orar
na ideia de que adormeço
no umbral do pequeno templo da minha aldeia
e viajo Cosmos além
livre de todo o mal


A sonhar que a mão de Deus me afaga
me faz Revelações
como fazia minha mãe
quando  menino
me aconchegava no seu seio


Ciciando-me doces melodias
de amor e de encanto
como se eu fora um santo
um deus pequenino


Eram ecos
e reflexos
do Criador


O meu pensamento voava
por dentro do sonho
para fora do sono
e o meu espírito vogava pelo Universo
iluminado pela  luz
do seu coração


Tento agora
 ouvir de novo os mesmos ecos
ver os mesmos  reflexos
no umbral do pequeno templo da minha aldeia
na ideia que é o regaço de minha mãe


Não encontrei até hoje
melhor forma de me interrogar
outro verso e anverso
 das agruras da vida olhar
sem me sentir vazio
naufrago do nada
sem me angustiar


Era Deus
que descia do Céu
para me falar de Si
com suavidade
mesmo ali
no limiar da Eternidade


Era eu
que a dormir
despertava por dentro
mergulhava no mais profundo de mim
descobria o meu caminho
e me transformava
em profeta daquele espaço
naquele tempo


Para lá do umbral do pequeno templo da minha aldeia
pregada na parede mais umbria
 ergue-se porém uma Cruz
lustrada pela luz trémula  de uma candeia
que ilumina de divino
o destino sonhado
no regaço de minha mãe


sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

A luz do amor



Há uma luz que vem de Deus
que tem origem fora do Universo

Uma luz que não é desviada
pelos corpos pesados em movimento
e a que se não aplica a Teoria da Relatividade
porque é absoluta verdade

Luz que não é atraída pelas galáxias
que distorcem a luz das estrelas
dando-nos uma imagem ilusória do Cosmos
como se projectada nas águas
ondulantes
de um lago

Entra por nós a dentro
reflecte-se na nossa alma
acalma os corações famintos
ilumina a escuridão da cega paixão
causadora da dor
adoça os instintos
e levanta o vento da amizade

Essa Luz

É a Luz do Amor!




quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Tantas coisas sem tino a vida tem



Tantas coisas sem tino a vida tem

Todas têm destino
porém

Na paz ou na guerra
cá na Terra ou lá nos céus
mesmo a morte
meu Deus!

Os golpes de má sorte
a dor que não acaba
a felicidade adiada
ou a paixão que chega ao fim
parecem não ter sentido
nem valerem de nada
qual vozes que o vento leva

Mas será que é assim?

A lembrança delével que o tempo releva
e na memória se tolda
poderá bem ser a transformação indelével
que nos molda
definitivamente

Tantas coisas sem tino a vida tem

Perceberemos com o tempo
porém
que tudo fica em nós
para sempre
e tudo levamos para o além
certamente


quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

A pensar que penso só porque penso que penso








Por vezes fico parado
a pensar

A pensar que penso
só por pensar que penso

Alheado por fora
fascinado por dentro

Sem me aperceber
sequer
do vento
que por dentro
me perpassa
vazio de sentimento
nem quente
nem frio

A olhar o vazio
sem graça
sem me deixar adormecer
a pensar que penso
só porque penso que penso

Fora de mim nada me diz
dentro de mim nada me digo
o coração nada sente
sem penas nem dilemas em minha mente

Entremente
rumino apenas poesia
regurgito poemas
somente

 A pensar que penso
simplesmente
só porque penso que penso