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quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

A balança da verdade



Tenho para mim
que humildade e dignidade
são um manancial de humanismo
uma fonte de esperança
um mergulho na humanidade

Tomo por balança a verdade
e por fiel o meu coração

Para viver a vida com heroísmo
livre de egoísmo
de sentimento ruim
ou cega ambição

Sem que a minha dignidade
tenha o contra peso do orgulho
a minha humildade a tara da vaidade
nem outra sombra de mal

E que a minha humildade
posta no outro prato da balança
em que coloco a minha dignidade
pese por igual
que o seu peso seja o amor
e bem pesado seja o seu valor


terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Estado de alma estranho ao normal sentir


Estado de alma estranho ao normal sentir

Não é angústia nem ansiedade
dúvida ou falta de vontade
dor interior ou exterior

Não é aborrecimento nem saudade
contentamento ou felicidade
náusea ou fastio
alegria ou desilusão
medo da morte
vontade de morrer
alvedrio
vazio
frio
arrepio
premonição

É uma espécie de apatia activa
uma viva abolia
uma alegoria de iluminação

É um desejo de fugir
daqui
de mim
d`além
sem que saiba bem
para onde quero ir


domingo, 21 de janeiro de 2018

Vou fugir para o futuro distante




Vou pôr-me a andar daqui
para fora
fugir para o futuro
distante
Já!
Agora!

Farto da miséria
da mentira e da guerra
da corrupção e da poluição
da tragédia que afecta toda a Terra
vou fugir para o futuro
distante
sem demora
e levar comigo todos a quem quero bem

Aqui
e agora
no presente
tudo que é bom é ausente
nalgum lugar distante

Aqui
já nem dá para sonhar
vou pôr-me a andar daqui
para fora
já e agora


quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Quando os poetas amam sinceramente…





Quando os poetas amam 
sinceramente
fazem do amor
poesia

Não se limitam a amar
tão somente
como toda a gente

Quando os poetas sofrem
verdadeiramente
fazem da dor
poesia

Não se resignam a sofrer
tão somente
como toda a gente

Quando os poetas amam 
sinceramente
não sofrem apenas suas dores
nem amam somente seus amores

Amam e sofrem
pelos demais
convertendo dores e amores
na divina fantasia
melodia de lamento e sofrimento
a que se chama poesia

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Se porventura não existis, ó Deus!



Triste é morrer sem saber porque se viveu!

Se porventura não existis, ó Deus!
então eu Vos suplico:
- Criai-Vos!

Não deixeis a tarefa de Vos criar nas mãos dos homens
que apenas têm sabido imaginar diabos e mais diabos

(Quanto a mim
se algum dia tive tal veleidade
já a perdi
na verdade)

Porque compreendi a minha total incapacidade
para por ordem no Mundo
e para minimamente entender o Universo

Eu não passo de um pobre diabo,
Senhor!
Que não sabe o que é o bem e o mal
e que anda no mundo por ver andar os outros

E que agora humildemente Vos suplica
e se lamenta:
- Se acaso não existis, ó Deus, então criai-Vos!

Para que ao menos possamos acalentar a esperança
de um dia sermos felizes num qualquer lugar
e de compreendermos os mistérios que nos envolvem

A começar pelo estranho princípio que nos faz nascer
sem que ninguém nos diga com que fim
e morrer
sem que ninguém nos pergunte se tal desejamos
e não nos diga para onde vamos

Mas se acaso entenderdes que a Vossa existência não é relevante
então
mesmo assim
não permitais que sejam os homens a governar o Universo

Vede só, Senhor
o que os homens estão a fazer a si próprios
e à própria Terra que os sustenta

Ó Deus!
Se porventura não existis
eu Vos suplico:
- Criai-Vos!



domingo, 14 de janeiro de 2018

Bem me queres, mal me queres




Tentas-me. Finges-te adormecida
Em leito florido de malmequeres
Bela, desnuda e oferecida
Tal a loucura com que tu me queres

Deixas a minha alma entontecida
Com a arte das sensuais mulheres
Que amansa a fera mais temida
E faz dos homens santos, vis berberes

Mas por tanto também eu te querer
Decido, porém, não te acordar
Não vá, com o espanto, te perder

De pronto dizes sem pestanejar:
«Bem me quer quem só assim me não quer!
Toda a ti, amor, me quero dar!»