Não foi o vento não
Foi uma lufada da mais crua verdade
um ciclone de desilusão
que soprou pelo Outono
na alma indefesa
demasiado presa
ao coração
Foi uma aragem de angústia
eriçada a destempo
em tempestade
A chuva dissolveu os versos
o vento dispersou as palavras
E as sílabas voaram feitas folhas soltas
por entre ruídos
de ideias rasgadas
Mas nas voltas e reviravoltas da amargura
retornaram à razão
entristecidas
com o espírito votado
ao abandono
esfrangalhado
roído de dor
caído na loucura
Restou
este poema memória
de um amor tresmalhado





