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domingo, 28 de janeiro de 2018

Amo e penso, logo existo



A vida é uma tristeza viva
quando se não anda enamorado
ou não se ama ninguém

Eu tão pouco sei se existo
aborreço-me em qualquer lado
por isso de amar
não abdico

No prazer me confundo
na dor anseio fugir de mim
e esquecer o mundo

Só pensar nada me diz
ando de mãos postas
trago o coração ás costas

Pela via do amor
porém
vou  além da vida
e da morte
encontro o rumo
e o norte
sou eu
porque sou
feliz

É o coração que pensa
com o amor assim me identifico

Amo e penso
logo existo


sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Memória de um amor tresmalhado




Não foi o vento não

Foi uma lufada da mais crua verdade
um ciclone de desilusão
que soprou pelo Outono
na alma indefesa
demasiado presa
ao coração

Foi uma aragem de angústia
eriçada a destempo
em tempestade

A chuva dissolveu os versos
o vento dispersou as palavras

E as sílabas voaram feitas folhas soltas
por entre ruídos
de ideias rasgadas

Mas nas voltas e reviravoltas da amargura
retornaram à razão
entristecidas
com  o espírito votado ao abandono
esfrangalhado
roído de dor
caído na loucura

Restou
este poema memória
de um amor tresmalhado


quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

A balança da verdade



Tenho para mim
que humildade e dignidade
são um manancial de humanismo
uma fonte de esperança
um mergulho na humanidade

Tomo por balança a verdade
e por fiel o meu coração

Para viver a vida com heroísmo
livre de egoísmo
de sentimento ruim
ou cega ambição

Sem que a minha dignidade
tenha o contra peso do orgulho
a minha humildade a tara da vaidade
nem outra sombra de mal

E que a minha humildade
posta no outro prato da balança
em que coloco a minha dignidade
pese por igual
que o seu peso seja o amor
e bem pesado seja o seu valor


terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Estado de alma estranho ao normal sentir


Estado de alma estranho ao normal sentir

Não é angústia nem ansiedade
dúvida ou falta de vontade
dor interior ou exterior

Não é aborrecimento nem saudade
contentamento ou felicidade
náusea ou fastio
alegria ou desilusão
medo da morte
vontade de morrer
alvedrio
vazio
frio
arrepio
premonição

É uma espécie de apatia activa
uma viva abolia
uma alegoria de iluminação

É um desejo de fugir
daqui
de mim
d`além
sem que saiba bem
para onde quero ir


domingo, 21 de janeiro de 2018

Vou fugir para o futuro distante




Vou pôr-me a andar daqui
para fora
fugir para o futuro
distante
Já!
Agora!

Farto da miséria
da mentira e da guerra
da corrupção e da poluição
da tragédia que afecta toda a Terra
vou fugir para o futuro
distante
sem demora
e levar comigo todos a quem quero bem

Aqui
e agora
no presente
tudo que é bom é ausente
nalgum lugar distante

Aqui
já nem dá para sonhar
vou pôr-me a andar daqui
para fora
já e agora


quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Quando os poetas amam sinceramente…





Quando os poetas amam 
sinceramente
fazem do amor
poesia

Não se limitam a amar
tão somente
como toda a gente

Quando os poetas sofrem
verdadeiramente
fazem da dor
poesia

Não se resignam a sofrer
tão somente
como toda a gente

Quando os poetas amam 
sinceramente
não sofrem apenas suas dores
nem amam somente seus amores

Amam e sofrem
pelos demais
convertendo dores e amores
na divina fantasia
melodia de lamento e sofrimento
a que se chama poesia