Assobiando aos bois no bebedouro
Aprendi com
Vinícius
velho
criado de servir de meu avô João
a assobiar
aos bois no bebedouro
quando
regressavam do pasto
ao fim do
dia
depois do
lauto repasto
de feno
ferrã
e grão
Que prazer
era vê-los beber
em manso
remanso
de beiços
a beijarem a película líquida
amansados
pelo meu assobio
e a
olharem-me de soslaio
com seus
olhos cor de mel
a dizerem-me
que lhes agradava a lânguida
melodia
De novo
agora ensaio
sem
desdouro
com os
lábios em bisel
com o enlevo
e a
nostalgia
de quando
menino
enquanto
escrevo
esta
poesia
e sorrio
do meu
destino
iiuuu, iiuuu,
iiuuu…
in Anamnesis (1.ª Edição: Janeiro de 2016)





