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sábado, 12 de janeiro de 2019

Vá para aonde vá ou for




Vá para aonde vá
ou for
carrego sempre comigo
uma mala de fantasia
cheia de sonhos
e de amor

Sempre foi assim
e sempre assim será

Sonhos
são sementes de poesia
que germinam em poemas
em cânticos de louvor
gritos de alegria
choros de dor
ao sabor da sorte
arpejos de dilemas

Assim será
até na hora da morte
já que estou em crer
e disso tenho fé
que continuarei a sonhar
a amar
e a escrever poesia
mesmo depois de morrer

Vá para aonde vá
ou for
carrego sempre comigo
uma mala de sonhos
e de amor 
preparado para amar

É dentro dessa mala
que me faço transportar


Vale de Salgueiro, quinta-feira, 3 de Junho de 2010
Henrique Pedro

domingo, 30 de dezembro de 2018

Dando tempo ao tempo




Apercebo-me de um mais débil pulsar
de badalas langorosas de cansaço
corro a dar corda aos meus relógios
para assim os espevitar
não vão eles parar
e com eles parar o tempo

Iludo-me…

Pensando que o tempo sou eu que faço
mas o tempo não tem origem em mim
apenas o mais puro sentimento
me vem de dentro

Ainda assim…

Como os maquinismos mecânicos
prolongam as horas e os dias
dos mecanismos do tempo
em badaladas mais sonoras
e prolongadas

Também…

Os beijos e os afagos
animam o bater dos corações
e reanimam
com seu calor
as maquinações da relojoaria do amor
e dão mais tempo
ao tempo

Mas o tempo…

Sempre está a acontecer
esgota-se por si só
com dor e desdém
sem dó nem piedade
e tudo acaba por morrer
de verdade

A menos que a mecânica celeste
com sua engrenagem cor-de-rosa
nos conduza em viagem
mais esperançosa…

… No além

Vale de Salgueiro, quarta-feira, 22 de Abril de 2009
Henrique Pedro

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Viajando para além de tudo e do mais




Há espaço bastante entre as estrelas para eu me perder
sem me deixar prender
por qualquer delas

Perco-me sem premeditação no espaço interestelar
qual planeta errante
vogando na infinita imensidão da minha alma
propulsado pelo pulsar do meu coração

Vagueio sem rumo certo para um mundo distante
para mais perto de mim
na vastidão daquilo que sou
sem deixar rastro
nem fumo
a título póstumo

Viajo para fora da Terra
para lá do Sistema Solar
fujo do Sol, da tragédia e da guerra

Vou mais além pelas veredas da Fé e do Amor
abandono o Universo
libertar-me do espaço-tempo
do verbo e do verso
dos vícios da mente
da ilusão e da dor

Embora presente estou ausente

Vale de Salgueiro, terça-feira, 28 de Outubro de 2008
Henrique Pedro

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

O que falta neste Natal é o que mais falta faz




Havia muito amor e muita luz
no presépio de Belém
em que Jesus nasceu 
iluminado pelo luar
e pelas estrelas do céu

Até havia anjos a cantar
cânticos de fé e esperança
embora a noite fosse fria

Porém
bastaram à divina criança
o calor do seio de Sua mãe, a Virgem Maria
e a companhia de São José, Seu pai

O que falta no Natal, hoje em dia
não são prendas nem prebendas
ou sinecuras
tudo que o dinheiro atrai

Não são luzes nem molduras
os enfeites de encanto
que brilham nos ares e nos lares
nas catedrais e nos centros comerciais

O que falta ao Santo Natal, hoje em dia
é o que mais falta faz

É Esperança
É Alegria
É Amor
É Poesia

É Paz!

Vale de Salgueiro, segunda-feira, 24 de Dezembro de 2012
Henrique Pedro


quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Cada poema que escrevo é um cigarro que acendo





Não fumo nem nunca fumei
não compreendo por isso esta imagem triste em que me inspirei

Cada poema que escrevo é um fósforo que risco
na obscuridade

Ouço-lhe o ruído breve
característico da ignição
esforço-me por proteger a chama pequenina da verdade
com a concha da mão
o tempo suficiente para acender um cigarro
de amor e martírio no meu coração

A sonhar que arde
aquece
ilumina
anima
e não mais se esquece

Se ata 
se ateia a outra e a outra candeia
em cadeia

Que é uma fogueira de ideia
de poesia
que ilumina a Terra inteira

Oh, Deus!
Cada poema que escrevo
é mais que um fósforo que risco
para acender um cigarro
a que me amarro
para deixar arder
e esquecer

É uma chama de amor que arde
sem se ver

Vale de Salgueiro, quarta-feira, 27 de Outubro de 2010
Henrique Pedro

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Sem título, sem tema, sem autor




Um poema poderá não ter título
nem ter autor
sequer

Poderá não ter tema
nem falar de dor
ou de amor

Poderá mesmo falar de tudo
sem nada dizer
e ser dilema

Um poema, porém, terá que ter leitor
mesmo que não saiba ler

Terá que ser sentido por alguém
mesmo que não tenha metro nem rima
não mereça a estima
nem tenha sentido para ninguém

Poderá ser só um rosnar
um ranger de dentes
um uivar de lobo
um grito de socorro
um estado de afasia
um apontar de dedo à estrela polar
um exercício de razão
uma exclamação de alegria

Um poema poderá ser um olhar tão-somente
um sentir
um devir
um dever
um presente
uma emoção
uma inocente lágrima de pranto
uma folha de papel em branco

Um poema, porém, terá que ter poesia

Amém

Vale de Salgueiro, sexta-feira, 20 de Abril de 2012
Henrique Pedro