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sábado, 20 de dezembro de 2014

De tão triste, encanta


 

 
Ave triste
parda
parada

Pousada numa árvore isolada
recortada na neblina do tempo
nua
no ermo

Ave parda
pousada parada
calada no silêncio em que se cala
e angustia

Ave despassarada
que nenhum grito
eco
ou vento
espanta

Tristeza
que de tão triste
só ao poeta encanta

Ave parda pousada
parada à espera de levantar voo

Para ser alegria

Amanhã

1 comentário:

  1. E um dia, o vento sopra em seus ouvidos que ela é ave, e ela se lembra, e voa...
    Feliz natal!

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