Seja bem vindo/a. A mesa da poesia está posta. Sirva-se. Deixe, por favor, uma breve mensagem. Poderá fazê-lo para o email: hacpedro@hotmail.com. Bem haja. Please leave a brief message. You can do so by email: hacpedro@hotmail.com. Well done.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Uma colher de poesia numa chávena de ansiedade



Entrou de mansinho

surgida da rua

translúcida

vestida de lua

e sentou-se na mesa ao lado da minha vida

 

Pediu agitada

um xá

em chávena de porcelana

imaculada

cheia de tudo

vazia de nada

 

A que juntou ansiedade

adoçou com angústia

e remexeu

com uma colher de poesia

por entre vapores de Baco

e baforadas de tabaco

 sem nada a mim me dizer

 

Despediu-se

sem alegria

quando eu já bebia

de pé

a minha xícara de café

e perplexidade

 

Mexeu

comigo

aquela mulher

 

Tanto que a mancha carmim

dos seus lábios

rubros de sensualidade

no bordo da chávena de porcelana

imaculada

permanece indelével

dentro de mim

 

Ainda que eu tenha ficado sem saber

a que se devia a sua angústia

e a que se se ficou a dever

esta minha angustiada

ambiguidade

 

Vale de Salgueiro, quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Henrique António Pedro


in Mulheres de Amor Inventadas

(1.ª Edição, Outubro de 2013)