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segunda-feira, 18 de maio de 2026

É na escuridão mais escura que a alma mais luz

 


VI

É na escuridão mais escura que a alma mais luz

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

Abro o livro

e leio

o meu espírito espevita

 

Ouço a voz seca

de Séneca

que em seu douto pensamento

há séculos

ao vento

grita:

 

“Deixarás de ter medo quando deixares de ter esperança.”

 

É a mim que me ouço

feito criança

em desassossego

 

À luz do dia

tomado pelo instinto

tinto de emoção e ilusão

deixo de me ver

e de me ouvir

 

À luz do dia

de ambição imbuído

a ideia é ruído

 

No escuro

melhor me oiço e me vejo

sei o que procuro

e o que desejo

 

No escuro mais medo sinto

mais a mente anseia

a esperança renasce

o silêncio é ideia

divino enlace

 

Abro o livro

leio

e releio “A Noite Obscura”

de João da Cruz

 

É na escuridão mais escura

que a alma mais luz

 

Henrique António Pedro

A minha luta interior

 


V

A minha luta interior

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

Há momentos em que duvido de tudo

e não acredito em nada

nem mesmo em mim

nesse ínterim

 

Mormente se assisto impotente

ao tormento de inocentes

 

Momentos em que duvido de Deus

e dos anjos

dos homens

e do diabo

ao fim e ao cabo

 

Do corpo e da alma

do além

e da vida eterna

também

 

Do que vejo e ouço

do que sinto

e do que pressinto

 

Momentos em que não sei distinguir

a mentira da verdade

em que não acredito na felicidade

nem sei que caminho seguir

onde me refugiar

ou para onde fugir

 

Momentos em que uma só certeza me salva

porém

 

Uma luz interior

que me ilumina de uma certa fé:

A evidência do amor

imanência do bem

 

Por isso ter fé, não é

para mim

acreditar

 

É antes travar essa luta

interior

e apesar da dor

continuar

de pé

 

Ainda assim

Henrique António Pedro

sábado, 16 de maio de 2026

Éter e eternidade

 


IV

Éter e eternidade

 

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

Nem sempre só

e em silêncio

me sinto em solidão

 

Ruídos remanescentes

impedem-me de acordar

do vivo torpor

que é a vida

 

Os afectos que me ligam ao mundo

impedem-me de mergulhar

mais fundo

 

Ainda assim, no silêncio

melhor ouço o coração respirar

e o espírito mais livre a arfar

de amor

 

Mas só no silêncio

e na solidão

conheço o sucesso

e tenho acesso

ao meu ser

 

Só em silêncio

e na solidão

navego no éter

rumo a eternidade


Henrique António Pedro

Lugares recônditos da minha alma

                                                                               


  

                                                                                III

Lugares recônditos da minha alma

 

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

Há lugares

recônditos

na minha alma

aonde

eu próprio

raras vezes vou

 

Apenas assediado

por algum evento inusitado

 

São aposentos reservados

onde não sopram os ventos

nem se faz sentir a fúria do mar

ou a tempestade do viver comum

 

Ali me refugio

me protejo

e me liberto

em ambiente de espiritualidade

 

Tranco portas e janelas

tapo os ouvidos aos ruídos da rua

apenas deixo acesa uma luz

doce como a da Lua

e por ali fico na obscuridade

de alma distendida

até me acalmar

 

Só depois desperto

e retorno à vida

 

Henrique António Pedro

 

sexta-feira, 15 de maio de 2026

O nosso fim é ser anjos

 


II

O nosso fim é ser anjos

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

O nosso fim é ser anjos

libertarmo-nos do peso do corpo

e ganhar asas

para podermos voar

 

À custa de sofrer

e de amar

e disso tomar consciência

pela ciência

e pelo saber

pelo sopro de Deus

que é o amor

 

É este o sentido da dor

da verdade

antíteses do prazer

e da vaidade

 

A razão de ser de nascer

viver

e morrer

 

Henrique António Pedro

Introdução à Eternidade

 


Introdução à Eternidade

Copyright © Henrique Pedro (prosaYpoesia)

1.ª Edição, Outubro de 2013

 

I

Introdução à Eternidade

 

O Infinito

é um lugar tão distante

que demoramos uma Eternidade

a lá chegar

 

É uma infinitude

de uma só virtude

a Verdade

 

É lá

por certo

que mora a Felicidade

 

Eu moro mais perto

porém

 

Bem pertinho

até

 

Num lugar bem pequenino

infinito de amor

sem fim

aberto dentro de mim

pela Fé

e pela dor

Henrique António Pedro

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Etereamente nua


Ela brincava com o fogo

com que me incendiava

 

Eu limitava-me a despi-la

com o olhar

 

Não era amor
era lampejo de gostosura

desejo de a ver

nua


Ela à minha frente se desnudava

linda de morrer
entre sorrisos e trejeitos lúbricos
o viço dos seios túrgidos
a tentarem-me

com prazer

Oferecia-se amorosa
insinuante

melíflua

de falas meigas
graciosa

com golpes de cintura
fina
maneiras requintadas
nádegas roliças
coxas torneadas

Quando, por fim, se mostrou despida
oferecida
etérea

nua

eu cobri-a com poesia


Oh que dilema!

 

Que outro epílogo poderia ter este poema?!



Vale de Salgueiro, 24 de Maio de 2008
Henrique António Pedro

Sonho acordado (Contemplação)


Sonho acordado

ausente

 

Deixo-me levar pelo vento

no voo do tempo

imaturo

desasado

cada momento do presente

fecha-se em passado

e abre-se em futuro

 

Rasgo a bruma da ilusão

escrevo poemas de espuma

inseguro

voo fascinado

com a leveza duma pluma

 

O sonho é uma ideia oca

mas é esperança

é procura da verdade

é pulsar do coração

ar da Razão

pão da boca

é a próxima realidade

 

 

Deus só não nos deu asas

para que sejamos nós

a aprender a voar

e a sonhar

 

A despertar

pela contemplação

 

 

Vale de Salgueiro, quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

Henrique António Pedro

 

domingo, 10 de maio de 2026

Paixão pulsão pulsante


 

Paixão é pulsão pulsante, é atração

É o fruto da sedução e do cortejo

É a chispa radiante dalgum desejo

É uma brasa acesa no coração

 

Que acaba por virar em negro carvão

Quando com triste e dorido arpejo

Porque o amor não logrou o seu ensejo

Se apaga sem apelo nem compaixão

 

Se o puro amor a alma não abrasa

Deixa o coração de ser uma fornalha

E de pronto a paixão perde sua asa

 

Estiola e arde qual simples palha                            

E o tição que aceso foi rubra brasa

Acaba em cinza que o vento espalha        

 

Vale de Salgueiro, segunda-feira, 1 de Novembro de 2010

Henrique António Pedro

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Olhar e ver além do horizonte



Os meus olhos não vêem além do horizonte

e os meus ouvidos

mais não ouvem que ruídos fugidios

 

As minhas mãos mais não tacteiam que a pele de corpos

e a superfície dos objectos

 

O meu coração apaixona-se sem saber porquê

o meu cérebro mal percebe a realidade

 

A minha alma mergulha na ansiedade

limitado que estou encarcerado dentro de mim

de espírito longe da verdade

 

A olhar o mundo sem ver

por uma estreita fresta

por onde mal passa a luz do dia

que nada me diz do Cosmos profundo

 

Por isso o meu espírito se incendeia de poesia

e anseia por tactear mais

ouvir mais

sentir mais

mais dar e receber

 

Olhar e ver além do horizonte

uma réstia de esperança que desponte

 

 

Vale de Salgueiro, sábado, 5 de Dezembro de 2009

Henrique António Pedro

 

 

 

 

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Como pode a vida ter por fim a morte?



Viver é vencer montanhas de glória

serras de derrotas sem história

selvas de ambição

desertos de sonhos

mil abrolhos

pântanos de frustração

 

É uma breve caminhada exterior

por demorados caminhos de dor

e de mais curto amor

 

É vogar por espaços discretos

de ideias e afectos

abertos no nosso mundo interior

 

Sem que possamos parar

ou sequer descansar

 

Sem termos para onde fugir

porque se o coração para de bater

o cérebro deixa de pensar

e a alma de se angustiar

 

Como pode, então, a vida ter por fim a morte

morrer ser o fim de viver?

 

Ainda que a morte incompreendida

seja o fim da vida

não a  Esperança perdida

 

 

Vale de Salgueiro, quinta-feira, 16 de Dezembro de 2010

Henrique António Pedro

 

terça-feira, 5 de maio de 2026

Dou-me conta de que estou a levitar

(in Anamnesis (1.ª Edição: Janeiro de 2016))

Agora mesmo

como se não houvesse amanhã

nem tivesse havido ontem

 

Como se não tivesse existido a hora passada

e vivesse ausente do presente

há já uma eternidade desmemoriada

 

Agora mesmo

sem um relevante pensamento

um apetite evidente

uma ideia emergente

 

Na tranquilidade absoluta

de quem não vai nem vem de nenhuma luta

 

Sem dar conta do tempo passar

sem um zunido sequer que me possa enervar

fora ou dentro dos ouvidos

 

Com todos os sentidos a funcionar esplendidamente

tanto que nem eles se dão conta de si

por nada terem que a mim me dizer

 

De corpo relaxado

e de espírito enlevado

de cérebro todo tomado pela consciência

e a consciência a monitorizar apenas a alma

 

Sem amor

sem ódio

fantasia ou contrição

tristeza ou alegria

teoremas ou dilemas

sem motivos de glória ou de frustração

 

Em puro estado de graça de poesia

de cordão umbilical bamboleante preso a este poema

 

Agora mesmo

dou-me conta de que flutuo

 

Concluo que estou a levitar 

 

Vale de Salgueiro, sábado, 5 de Maio de 2012

Henrique António Pedro

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Ora aqui, ora além, a orar

 


 


Por veredas e caminhos rurais

pedregosos

que ora sobem

ora descem

sinuosos

exercito músculos

tendões

e articulações

 

Caminho

com o cérebro a comandar

e lembranças da infância

em surdina

a chamar

 

Com o espírito ora aqui

ora ali

ora além

a orar

saudade

 

Por sítios do passado

a que voltarei

sempre

nunca

nem sei

jamais

 

in Anamnesis (1.ª Edição: Janeiro de 2016) 

Vale de Salgueiro, quinta-feira, 23 de Julho de 2009

Henrique António Pedro

 

segunda-feira, 27 de abril de 2026

No centro do Universo


Ao cair da tarde

levantou-se docemente

uma brisa suave

para embalar a Natureza

e convidar humanos e animais

seus iguais

a adormecerem

serenamente

 

Ergueu-se no horizonte, de repente

a Lua cheia

grávida

resplandecente

em perseguição do Sol

que se escondia por entre nuvens

para se não deixar apanhar

por não querer assumir

a paternidade

 

Até que a noite caiu, suavemente

e a Lua abriu o regaço diáfano

polvilhando o Firmamento

com as estrelas cintilantes

que salpicam com fantasia

o humano entendimento

 

Tudo isto aqui na Terra

bem o centro do Universo

em que a Humanidade

continua a adormecer

e a acordar

na paz e na guerra

até um dia poder compreender

porque se esconde a Verdade

em tão sigilosa poesia

 

Vale de Salgueiro, Domingo, 31 de Agosto de 2009

Henrique António Pedro

 

 

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Este meu canto é um pranto


Este meu canto é um pranto

que canto para me olvidar

daquela vez que sorri

sem saber o que fazia

tão pouco que me perdia

 

Agora sei que me perdi

porque de amor me prendi

muito embora todavia

continue a cantar

este meu canto que é um pranto

 de amor e saudade

 

Não por gosto de penar

ou por gozo de sofrer

tão só para esquecer

este amor que é dor

tão dolorosa verdade

 

Já me dói o peito

deste meu modo de cantar

deste meu jeito de amar

 

Vale de Salgueiro, domingo, 8 de Novembro de 2009

Henrique António Pedro